31.10.16

BREVE REFLEXÃO PARA UM DEBATE NECESSÁRIO À ESQUERDA SOCIALISTA

Por Bráulio de Barros Wanderley

A pequena participação da esquerda no 2° turno nos leva à tarefa de uma análise sobre os marcos do capital e sua apelidada democracia burguesa. Eis alguns tópicos para reflexão:

1. Não há eleição sem correlação concreta com a luta de classes;

2. Não há transformações profundas sem participação popular e consciência proletária, o jogo da burguesia é desnivelar todos os campos pelo debate efêmero de que todos possuem o mesmo nível de corrupção;

3. O debate da ética, por si só, foi algo vendido e depois comercializado a luz de uma famigerada "governabilidade" que por fim culminou em golpe por ex-aliados dos governos petistas;

4. Partidos como o PCB e o PSOL, que refutaram as "alianças amplas" foram tirados de cena, salvo no Rio e em Belém, pela mini-reforma eleitoral aprovada por Eduardo Cunha e sancionada na íntegra pela então presidente Dilma Rousseff;

5. Vivenciamos o maior período de autoritarismo desde o golpe de 1964, com o congresso Nacional mais reacionário da história republicana, portanto, não se deve ter ilusões institucionais como um fim em si mesmo;

6. Articular o movimento sindical com a convocação de um ENCLAT, a fim de superar a lógica simplista do economicismo anual nas diversas categorias profissionais. O movimento operário se estatizou, saiu da esfera privada que mais sofre a mais valia, é urgente essa reorganização;

7. Agregar do ponto de vista classista os segmentos historicamente mais explorados pelo capital monopolista: juventude, mulheres, negros, povos indígenas, sem terras e sem tetos. Sem articulação e coesão de projeto não teremos êxitos na estratégia socialista. O que vivenciamos há algumas décadas são lutas em demandas específicas, não agregadas à construção do poder popular e do socialismo.

8. Percebemos silenciosamente o crescimento do fundamentalismo teocrático e reacionário em amplas camadas da sociedade, sobretudo, o movimento neopentecostal. A forma de abordagem nas camadas médias e no proletariado reduziu e anulou nossa presença, bem como a identidade e a inserção dos trabalhadores a nossa causa. A promessa do Éden ganhou mais corpo que a consciência de classe e a luta socialista. Temos que retomar esses espaços nos contrapondo abertamente a esse projeto que passa pelo combate ao Escola sem partido, à criminalização do aborto, à redução da maioridade penal, à  supressão de conquistas sociais, trabalhistas e previdenciárias. Ao seu lado estão, como sócios, o atual governo golpista, siglas como PP, PR, PRB, entre outras e o próprio PSDB, especificamente o mineiro. Esse campo cresceu, sobretudo, na despolitização dos governos Lula e Dilma.

9. As milhares de ocupações nas escolas e universidades são vitórias pontuais que temos frente à oposição à PEC 241, agora renomeada no senado como PEC 55, entretanto, sabemos das dificuldades e limitações entre companheiros do nosso próprio campo quanto à tática do movimento e sua real dimensão. A burguesia e sua porta-voz midiática já está se encarregando de inverter os lados e, mais uma vez, criminalizar a luta da juventude. Não será surpresa se, sob pretexto do Enem, houver:

9.1- O adiamento do mesmo com forte clamor midiático;
9.2 - Reintegração judicial e violenta das escolas e universidades;
9.3 - Articulação reacionária de desocupação, fato que já está em andamento mas que deve ganhar maior incentivo e apoio.

A Esquerda e em maior proporção, os Comunistas Brasileiros, tem portanto, a tarefa de avaliar profundamente estes e outros pontos a fim de agir com a clareza das ideias e princípios de Marx, Engels e Lênin, frente ao que há de mais retrógrado em vigor no país como reflexo dessa onda reacionária que perpassa o mundo.

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