12.5.16

GOLPE VICE-PRESIDENCIALISTA

Por Bráulio Wanderley

A presidente Dilma Rousseff cometeu crime, segundo admissibilidade congressual (Câmara dos Deputados e Senado Federal), ok, não vale mais questionar o mérito, embora inexista materialidade acerca do crime dolodo de responsabilidade.

Porém, levando em conta que o vice-presidente também assinou as chamadas pedaladas fiscais, durante interinidades presidenciais, o mesmo também deve ser incluído no processo de impedimento. Caso contrário a regra será seletiva, como, aliás, estão sendo algumas das instituições da República.

O golpe em andamento tem profunda responsabilidade do Partido dos Trabalhadores ao escolher os aliados errados, o programa errado, o protagonismo errado. Preferiu ser sócio menor do capital a ser o estandarte da classe trabalhadora e de sua emancipação.

A Câmara dos Deputados de Cunha

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é apenas a ponta do iceberg, possui mais de uma centena de parlamentares no bolso, ascendeu ao "alto clero" do Congresso abençoado por Lula, Dilma e Michel Temer. Contudo, agiu como preposto do vice-presidente, tirando os holofotes do mesmo, enquanto operava o golpe às escuras ao lado da oposição de direita, da mídia e do empresariado anti-petista.

Seus principais agentes participaram dos governos do PT, tinham os organogramas dos cargos comissionados e os pleitos parlamentares para atender. Respondem pelos nomes de algumas figuras conhecidas e até há pouco enterradas na política nacional: os ex-ministros Eliseu Padilha (FHC e Dilma), Romero Jucá (Lula e líder dos governos FHC, Lula e Dilma), Moreira Franco (FHC e Dilma), Henrique Eduardo Alves (Dilma), além do ex-deputado Geddel Vieira Lima (ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Dilma). 

A corja operava sob o nariz dos que defendiam um governo de cooptação ao invés de coalizão.

Sobre a admissibilidade no senado.

Nunca tantos senadores, na condição de ex-ministros, traíram um governo em nome do golpe vice-presidencialista: Fernando Bezerra Coelho, Marta Suplicy, Garibaldi Alves, Eunício Oliveira, Eduardo Braga, Edson Lobão e Marcelo Crivela.

Culpa do PT, nos anos 90, fora alertado sobre a política de distensão das alianças. Ao invés da autocrítica preferiu o caminho fácil da desconstrução dos que se opunham à "direitização do partido", utilizando pejorativos como radicais, ortodoxos, estreitos, entre outros.

A noite de hoje mostrou o fracasso da governabilidade burguesa, os mesmos que nunca apoiaram o projeto original de esquerda, abandonado pelo PT na famigerada carta aos banqueiros (2002), foram os mesmos a derrubá-lo.

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