1.2.16

PREPARE SEU BIQUÍNI PARA O VERÃO, O CORPO VOCÊ JÁ TEM


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Publicado originalmente no Portal Ponto crítico

Ananda Fonseca é Juazeirense, vai iniciar o curso de Psicologia na Univasf e é filha da jornalista Sibele Fonseca. O texto dela faz uma crítica a gordofobia, a indústria da beleza e o estereótipo do corpo perfeito.
Falar em gordofobia não é fácil. É mais um dos preconceitos que a gente insiste em combater na desconstrução diária. E é um dos preconceitos que a sociedade em geral ainda não reconhece. Mas eu creio no amanhã.
O estereótipo promovido pela indústria da “beleza” precisa se reinventar. Academias, grifes de roupa, de lingeries, salões de beleza estimulam e compactuam com esse ideal já antigo e ultrapassado de que pessoas belas e de boa saúde precisam, necessariamente, ser magras. O que não é verdade.
A verdade é que esses ideais se disseminam de uma maneira tão absurda na sociedade que acabam trazendo problemas de saúde (física e mental) para as nossas mulheres.
Esses dias percebi no Facebook uma publicação que fazia parte do marketing de uma academia de Juazeiro. E o slogan dizia: “Prepare-se para ficar de biquíni no verão.”
Como se preparar para “ficar de biquíni no verão”? Eu me perguntei. A condição sine qua non para poder vestir um biquíni como qualquer outra mulher, qual seria?
Em minha opinião, sentir-se bem com o próprio corpo já bastaria, não? Sim. Mas aí é que está: a sociedade e a indústria da beleza repudiam os quilinhos a mais. E é desse repúdio que as mulheres se escondem. E é esse repúdio que nós devemos desconstruir e combater, dia após dia, para que a ditadura do “belo” não nos dite o que vestir ou o que fazer com o nosso corpo.
Precisamos estar alerta a qualquer tipo de preconceito, mas a gordofobia se esconde nos pequenos comentários tecidos pelos familiares, amigos, e até por pessoas que não são tão próximas, mas que se sentem no dever de dar opiniões onde não foram chamadas.
A gordofobia está presente e mais visível no marketing de quem lucra com os estereótipos, com os preconceitos. Sendo assim, proponho uma reflexão, por parte da Academia citada acima.
Toda mulher deve amar o corpo que tem. Toda mulher precisa se aceitar do jeito que é. Durante milhares de anos nos foram impostas regras e mais regras sobre como devemos nos comportar, nos vestir, o que deveríamos fazer com o nosso corpo. E através de muita luta e sororidade estamos quebrando barreiras nunca antes quebradas.
Então, pedimos por favor, não faça um marketing pobre como esse que anda na contramão da aceitação individual do corpo das mulheres. Aceitam uma sugestão inteligente? Vai aí, de graça: “Prepare o seu biquíni para o verão. O corpo você já tem.”.
Observação: Como Professor, tive a satisfação de acompanhar o desenvolvimento intelectual, a vontade de aprender e o gosto pela leitura de Ananda. Não me surpreende a sua criticidade, me orgulha cada vez mais.
Bráulio Wanderley

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