1.2.16

A ESQUERDA, O PCB E A ELEIÇÃO MUNICIPAL DE 2016

Por Bráulio Wanderley


A esquerda brasileira vive a maior crise desde a cassação do registro do Partidão em 1948. Devido ao descontrole do capitalismo gerenciado pelo PT desde 2003, a direita histórica, em consórcio com a mídia, generaliza de forma simplista, panfletária e mentirosa a ameaça comunista-bolivariana de modo que a sociedade enxergue todos os agrupamentos de esquerda como satélites do PT.

Ocorre que PCB-PSOL-PSTU, além de outros grupos não-partidários, fazem uma oposição à esquerda nos movimentos sociais e, no caso específico do PSOL, na Câmara dos Deputados.

O pleito municipal deste ano ainda conta com a censura jurídica imposta pelo TSE que obriga a convocação aos debates apenas os partidos que contam com assentos na Câmara, isolando um debate igualitário entre a Esquerda e os partidos da ordem.

O Partido Comunista Brasileiro compreende que uma de suas tarefas é utilizar o espaço institucional, mesmo nas limitações da dita democracia liberal, para denunciar os desmandos da dupla PT-PSDB e seus aliados comuns, além de fortalecer a propaganda de lutas travadas nos diversos espaços da classe trabalhadora na sociedade.

Reforça também a necessidade de criar uma Frente de Esquerda que siga, respeitando suas divergências pontuais e programáticas, a atuar no pós-eleição. A luta do povo brasileiro supera o oportunismo bienal das urnas, a dita festa da democracia virou um circo sem pão e exige dessas forças a necessidade de criar novos instrumentos de comunicação com o povo.

O campo de esquerda deve analisar, discutir e enfrentar os percalços de uma disputa entre Davi e Golias. O debate sobre políticas públicas pautados na realidade local, mas conectados com as conjunturas nacional e internacional, a proposta dos mandatos como espaços de polêmicas e de fiscalização no legislativo e de execução de políticas consoantes com as decisões tomadas em assembleias populares, radicalizando o processo de democracia e invertendo as prioridades executivas que hoje são coniventes com a lógica lucrativa das empreiteiras, dos consórcios de transportes e das  diversas máfias de coletas de lixo para, efetivamente, por o povo no protagonismo e exercício das prefeituras.

Não é nada fácil, mas é a insistência na ideia de criação do poder popular que denota a primeira tarefa dos comunistas, organizados no PCB e em outras esferas da sociedade, a fim de promover a estratégia do Socialismo como razão e perspectiva de um novo formato de sociedade, consciência de classe e de ser humano.

Nenhum comentário: