26.1.16

O que há por trás da retirada da candidatura do Datena nas eleições de São Paulo?

DO PORTAL ESQUERDA DIÁRIO

O apresentador de televisão, Datena, era candidato pelo PP de Paulo Maluf. Retirou a candidatura como se tivesse sido "surpreendido" pela corrupção na qual o partido está envolvido. Ninguém acredita nisso, mas por que então? Movimentações eleitorais na principal capital do país.

Seguindo a lógica dos demais programas policiais, o programa apresentado por Datena visa gerar um clima de insegurança na sociedade para poder legitimar a atuação da polícia militar, além de criminalizar a pobreza e as diversas manifestações que ocorrem no Brasil inteiro.
No ano de 2013, ocorreu um episódio que ficou famoso no Brasil Urgente. Após tentar criminalizar uma manifestação em São Paulo contra o aumento da passagem, Datena condenou as manifestações e fez uma pesquisa com os telespectadores, onde venceu o apoio às manifestações “com vandalismo’’. Ao perceber o nível do impacto de junho, o apresentador começou a dar muita ênfase em questões sociais e também alimentar um sentimento contra os políticos para impedir que as massas deem uma saída independente para os problemas do país.
Com a retirada da sua candidatura para as eleições da prefeitura de São Paulo, Datena tenta passar a imagem de ser uma figura autônoma deste podre regime político. Sabemos que isto é uma grande falácia, pois o papel que o Datena cumpre no seu canal de televisão é de legitimar o tratamento dos problemas sociais como “caso de polícia”, enquanto encobre os escandalosos crimes de “colarinho branco” dos políticos, dos empresários e das polícias, ou seja, da ampla rede existente por trás de cada um dos crimes que cobre de maneira “espetacular”, como se fosse um filme. Só assim para depois se filiar a um PP, que todos sabem que não é a primeira denúncia de corrupção que sofre, basta dizer que é o partido do Maluf, filhote da ditadura militar denunciado pela justiça em diversos países.
Mas a verdade é que Datena tinha um cenário extremamente complicado para se eleger. Além de haver ameaça de ter que disputar eleições internas no PP com o forte e execrável Maluf, se passasse por essa o cenário não seria fácil. Por um lado, disputava o eleitorado mais conservador com Russomano do PRB, líder nas pesquisas e também apresentador de televisão conhecido massivamente (apesar de que ameaçado de ainda ser vetado das eleições pelo STF por crime de peculato) e com o forte PSDB, que ainda não definiu candidato com suas disputas internas. Mas também tinha que enfrentar candidaturas fortes de Haddad pelo PT (que vai ter a capital como um centro de objetivo eleitoral no país) e Marta Suplicy do PMDB (que também está dividido, com Chalita ameaçando romper rumo ao PDT e apoiar Haddad). Ou seja, poderia começar sua carreira política com um fracasso importante. A desistência de Datena também veio depois de uma conversa com Alckmin, o que pode indicar algum acordo de Datena em apoiar candidatos do PSDB.
Datena saiu com um discurso “de que ele queria fazer o bem para a população, mas a política é suja e por isso que retirou sua candidatura’’, tentando ganhar fôlego com seus telespectadores, mas fica óbvio que a verdade não é essa.

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