30.6.15

CRÔNICA PARA CASAIS INESPERADOS



Por Bráulio Wanderley

O começo, inesperado e ao mesmo tempo intenso.

Uma semana atrás estavam cada um seguindo as vidas, desconhecendo suas existências e aí, meio que sem querer, vem Antônio de intruso na festa de João na casa de Roberto.

Um cumprimento formal, tímido, poucas conversas, coincidência não identificada de onde e por quem se conheceram, muitas interrompidas nos esparsos papos, um convite não levado a sério, na saída.

Uma surpresa mensagem que se estendeu durante todo o dia. A cada instante uma descoberta, o que resultou em incipiente afinidade mútua, sem explicação evidente... apenas repleta de coisa boa.

A descrição dos pés, da altura, a curiosidade silenciosa, um papo gostoso, fotos.

O quase cancelamento do encontro, convite reiterado, um pequeno atraso.

Uma noite de fogos juninos, sem fogueira, sem muita aproximação.

Um breve recuo seguido por um beijo, um abraço apertado, uma mão recusada, uma "bíblia" nos braços, um bico reprovador, um pedido de desculpas, uma cor corada, compreensão, paciência, perspectiva, um sorriso espontâneo, carinho nos rostos, olhadas curiosas do povo... ele nem aí, já ela acanhada, sem jeito.

Uma frase: "não se economiza afeto"... admiração de inteligência e bom humor constantes, perfis literários e musicais em comum. Mensagens e ligações notívagas que contrariavam insônias... uma pequena cochilada dela.

Uma noite que varou o dia, acalentada com uma boa MPB por sugestão dela, um sofá que ficou pequeno, a hesitação da queda, mesmo estando segura em braços e mãos largos. Medo? Sim, sim, natural para ambos. Contudo, desafiando o mesmo, sabendo que o contrário de coragem é covardia.

Um vinho, um suco e algumas uvas, pequenas lembranças de uma viagem.

Os arrodeios veiculares pra ficarem mais tempo juntos, disfarçados de lerdeza.

Um rosto vermelho devido a uma barba não afetada.

Uma música que soa avessa ao seu enunciado: "queria me enjoar de você", mas que resume um pouco dos encontros dessa última semana. Linda, João Bernardo!

Um escurinho temeroso, uma chacoalhada no carro e o medo de uma sociedade ao estilo George Orwell (1984), regida pelo receio de olhares curiosos de vizinhos e de filmagens despercebidas do "Grande Irmão".

A bela aventura da vida na esperança de que tudo prossiga daí pra melhor, agarradinhos, "books" de fotografias alegres e de cabelos assanhados. Celebraram, sem saber, as bodas de papel alumínio.

PS.: O texto se inicia, se desenvolve e é concluído assim como os casais em questão, por meio de artigos, assim como eles, definidos e indefinidos, plurais e singulares, femininos e masculinos. 

Que todos eles possam ser assim, simplesmente felizes.

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