5.2.15

REFLEXÕES À ESQUERDA SOBRE O MAIS DO MESMO

Por Bráulio B. Wanderley


Nos seus primeiros 15 anos, com forte adesão de diversos setores da sociedade civil organizada, o PT chamou à responsabilidade, todos aqueles que aderiam à pauta das classes dominantes na condição de adesistas. De modo coerente com o que formulava, coadunou as lutas sociais com a luta institucional. Fez do parlamento um instrumento de denúncia e demarcou os mandatos como instrumentos partidários, ao invés de serem a personificação de quem os exerciam, não é à toa que ao final de seu discurso de posse em 1982, o deputado federal José Genoino (SP) bradou "Marx vive!"

As eleições foram afrouxando o PT, o capital foi se infiltrando passo a passo no outrora "modo petista de governar" e ao invés de implementar o socialismo pelas beiradas, foi o capital que comeu o partido em seu núcleo dirigente.

Algumas observações são nítidas para quem não traiu os ideais pelos quais o povo brasileiro optou em 2002. Sem saudosismo, 2002, o resto foi marketing de uma pseudo-esquerda bienal.

O neopt virou a vedete acanhada do mercado. Um calhamaço amarelado de uma esquerda que surgiu como alternativa à "ortodoxia stalinista do velho Partidão", no início dos anos 80.

Pegando carona numa citação de Israel Souza, o PT virou a ala vermelha da direita, ou seja, a questão dos tucanos (a ala azul da burguesia), não é a divergência programática e muito menos classista, mas o recalque de não estar fazendo o que este governo está na área econômica. Elevação dos tributos sobre a classe média, o não reajuste da tabela do imposto de renda, a máscara das contas públicas, o descontrole inflacionário, a prostituição eleitoral em nome de uma falsa governabilidade com adversários históricos, a recusa em regulamentar o imposto sobre grandes fortunas (IGF), os cemitérios de obras inacabadas e paradas: transposição, ferrovia norte-sul, transnordestina, a recusa em ampliar a malha ferroviária pra transporte de pessoas, assim como as hidrovias, o desdém no projeto para municipalizar a CIDE (como defende o próprio Fernando Haddad), a não anulação da privatização da saúde por meio das Ebserhs, a progressiva privatização da Petrobras e do pré sal, assim como o cinismo para não demitir toda essa diretoria.

Nem vou mencionar o desinteresse com o projeto de federalizar a Educação, de autoria do senador e ex-ministro Cristovam Buarque. O caos da saúde pública e a não votação da PEC 300.

Em resumo, o neopt e o psdbosta se resumem à gerência do capitalismo (que o diga Joaquim Levy, que na recusa do seu chefe - dono do Bradesco - assumiu a fazenda na condição de capataz).

São algumas reflexões nas contradições deste neopt, um suicida ideológico, que dá pano pra manga pra direita e pros fascistas de plantão.

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