17.2.15

GRÉCIA OBRIGADA A DECIDIR SE QUER EXTENSÃO ATÉ SEXTA-FEIRA

DO PORTAL OBSERVADOR, DE PORTUGAL
Jeroen Dijsselbloem trouxe uma proposta que falava em prolongar programa, que foi rejeitada pela Grécia. Trabalhos foram interrompidos, por hoje. Grécia diz que "não aceita ordens".
AFP/Getty Images

Foram dados por terminados, por hoje, os trabalhos do Eurogrupo. Jeroen Dijsselbloem, o presidente do Eurogrupo, trouxe uma proposta que falava em extensão do programa e a reação da Grécia foi esta: “Não é possível qualquer acordo no Eurogrupo“, disse à Bloomberg uma fonte do governo grego há momentos. As propostas europeias são “absurdas e inaceitáveis“. Esta informação foi avançada minutos depois de, à Reuters, uma fonte também do governo grego ter dito, em alusão aos trabalhos da última quarta-feira, que o texto em que se trabalhou era “inaceitável” e que “não era razoável”, já que falava em prolongar o resgate. Recorde-se que esse encontro terminou sem sequer um comunicado final. Agora, é o Eurogrupo que diz: “Cabe à Grécia pedir uma extensão do programa”.

Na conferência de imprensa após o final da reunião, Jeroen Dijsselbloem disse que “temos esta semana, é isso” para que a Grécia decida se quer aceitar a oferta de uma extensão do atual programa, o que implicaria “flexibilidade” mas também a revalidação dos compromissos da Grécia para com os principais objetivos do programa. “Cabe à Grécia dizer se aceita a oferta de uma extensão“, disse Dijsselbloem. “Eles [os gregos] têm de decidir se pedem uma extensão do programa”.
Numa conferência de imprensa separada, Yanis Varoufakis explicou que teve um encontro prévio à reunião do Eurogrupo com o comissário europeu Pierre Moscovici, que lhe apresentou uma proposta de comunicado que estava “disposto a assinar na hora”. No entanto, quando chegou à reunião, essa proposta foi substituída por uma da autoria do presidente do Eurogrupo que trocava a expressão “extensão do acordo de empréstimo” por “conclusão com sucesso do programa” e onde era prometida “alguma flexibildiade dentro do programa”.
O governante grego diz que o seu Governo não pode aceitar fazer uma promessa de concluir com sucesso um programa que foi eleito para desafiar e que perguntou aos governantes do euro para explicarem o que queriam dizer com ‘alguma flexibilidade’, mas que não obteve uma resposta clara. Varoufakis disse ainda que os gregos até levaram propostas de condições a aplicar, novas medidas durante estes quatro meses que deveriam conseguir de extensão, e que apenas não aceitaria medidas recessivas, como é o caso de aumentos do IVA e cortes nas pensões mínimas.
Ainda assim, apesar de todos os desacordos, Varoufakis demonstrou-se confiante num acordo nas próximas 48 horas entre a Europa e a Grécia e que as duas partes se encontrarão a meio caminho.
Nova reunião do Eurogrupo só acontece na sexta-feira se o Governo grego aceitar ceder e chegar a um acordo com os ministros da zona euro, dentro dos moldes apresentados, disse Jeroen Dijsselbloem.
A fonte citada pela Bloomberg é uma fonte do governo grego, que disse por e-mail que as propostas de Jeroen Dijsselbloem para o país para respeitar o programa atual são “absurdas e inaceitáveis”. À Reuters, fonte do governo grego disse que a Grécia rejeitou uma proposta de acordo que dizia que a zona euro iria utilizar a “flexibilidade dentro do programa atual”. A Grécia não quer ouvir falar em prolongamento ou adaptação do atual programa, quer um novo programa.
Aqui está a imagem do segundo documento preliminar, rejeitado por Atenas. Um documento, a que vários jornalistas em Bruxelas tiveram acesso, que falava num“fortalecimento e melhor implementação do atual programa de assistência financeira”.
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Valdis Dombrovskis, comissário europeu, diz que “Cabe agora à Grécia dizer se quer, ou não, uma extensão do programa”. Não há qualquer notícia de convocação de novo encontro para sexta-feira.
Esta manhã, o alemão Wolfgang Schäuble disse-se “muito cético” de que seja possível chegar esta segunda-feira a acordo com “um governo que, de momento, está a comportar-se de maneira bastante irresponsável”. O Financial Times diz que quem participou nas “discussões técnicas” que decorreram sexta-feira e sábado conta que os representantes de Atenas mostraram muito mais objeções do que seria de esperar, tendo em conta que o grego Yanis Varoufakis tinha dito que só não concordava com menos de um terço (30%) do programa da troika. O ministro das Finanças da Grécia manifestou no domingo “uma dose suficiente de otimismo”, mas poucos acreditam que, menos de uma semana passada desde uma reunião em que não foi possível acordar sequer num comunicado final, seja possível aproximar as posições divergentes da Grécia e da troika.
Yanis Varoufakis disse, em artigo publicado esta manhã no The New York Times: “Não estamos a fazer bluff” nas negociações com os credores, diz o ministro das Finanças da Grécia, garantindo que não irá pisar as “linhas vermelhas” que o seu governo traçou. “Mas e se [esta intransigência] causar mais dificuldades ao povo [grego]?”. Esta é, segundo Varoufakis, uma pergunta que lhe é feita muitas vezes: “O problema com este argumento é que parte do pressuposto, na linha da teoria dos jogos, que vivemos numa tirania das consequências. Que não há circunstâncias em que devemos fazer aquilo que é correto não devido a alguma estratégia mas, simplesmente, porque…é o correto”.
Esta manhã, um jornalista do austríaco Der Standard escreveu que alguns dos ministros das Finanças estão irritados com Yanis Varoufakis porque este tem por hábito falar para eles como se estivesse a falar para os seus alunos na Universidade. Entretanto, fonte da Comissão Europeia confirmou que Jean-Claude Juncker falou ao telefone com o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, na tarde de domingo. A mesma fonte garante, contudo, que a conversa foi para “trocar ideias sobre a Grécia, não para negociar”.
BERLIN, GERMANY - JANUARY 29:  German Finance Minister Wolfgang Schaeuble attends debates at the Bundestag following a government declaration given by German Chancellor Angela Merkel, in which she outlined the policy priorities of the new German coalition government of Christian Democrats and Social Democrats, on January 29, 2104 in Berlin, Germany. The new government was sworn in in December and has a strong majority in the Bundestag to push through legislation.  (Photo by Sean Gallup/Getty Images)Schäuble: “Opções? Se a Grécia não quiser um programa, não temos de pensar em opções”
À chegada a Bruxelas, o alemão Wolfgang Schäuble criticou o governo grego, dizendo que este “não está a ajustar a sua posição“. Citado pela Bloomberg, Schäuble sublinha que o programa da troika na Grécia “tem de ser cumprido” e, quando lhe perguntaram que opções restariam, respondeu: “Opções? Não precisamos de ter opções se a Grécia não quiser ter um programa“.
Quem, também, se mostrou irredutível na sua posição foi o espanhol Luis de Guindos. Espanha também tem uma linha vermelha: “A dívida tem de ser paga“, disse Luis de Guindos à chegada a Bruxelas. O espanhol acrescentou que espera que haja um acordo para acabar com o impasse e afirmou que “uma saída da Grécia da zona euro não está em cima da mesa, neste momento”.
O austríaco Hans Schelling disse que “a Grécia não pode ter condições novas ao abrigo do atual programa”. Mais: “Ninguém deseja que haja provocações, vamos tentar encontrar uma solução, mas o fator tempo é crucial”. Outras vozes: “Uma extensão do atual programa é o melhor caminho”, dizem os ministros das Finanças de França, Michel Sapin, e da Irlanda, Michael Noonan.
As bolsas parecem estar a preparar-se para uma deceção ou, pelo menos, a retemperar o otimismo moderado que marcou a última semana. Os juros da dívida voltam esta segunda-feira a subir, mantendo-se acima de 17% a três anos e sinalizando um mercado de dívida completamente fechado para Atenas nesta fase. Já o índice FTASE das maiores ações gregas está, pelas 14h a perder mais de 5%.
Os ministros das Finanças da zona euro começaram a chegar a Bruxelas pelas 13 horas locais, ou seja, 12h de Lisboa. A reunião começou às 15h de Lisboa e está uma conferência de imprensa agendada para as 20h de Lisboa. “Contudo, tendo em conta a natureza muito difícil destas negociações, esta conferência de imprensa será, muito provavelmente, adiada”, dizem analistas do Rabobank em nota de antecipação do encontro.
Yanis Varoufakis mostrou-se confiante de que será possível chegar a um acordo, “mesmo que seja à última hora”. O encontro desta segunda-feira foi visto como o “Dia D” pelo holandês Jeroen Dijsselbloem, o presidente do Eurogrupo, por várias razões. Esta é, segundo a calendarização atual, a última reunião do Eurogrupo antes do final agendado para o programa da troika na Grécia, a 28 de fevereiro. Isto apesar de já haver rumores de que pode haver uma nova reunião na sexta-feira caso esta não produza fumo branco. O ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, já disse, à chegada a Bruxelas, que esta é uma “possibilidade remota”.
A reunião desta segunda-feira é, também, importante, pelo facto de ser necessário algum tempo para, caso exista um novo acordo que tenha de serratificado pelos parlamentos nacionais, este acordo seja validado antes do final do programa da troika. Por outro lado, a falta de um acordo esta segunda-feira pode atirar os bancos gregos para ainda mais perto do colapso, designadamente por via da fuga de depósitos que já está a verificar-se e que, para já, o BCE está a compensar com a cedência de liquidez de emergência

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