12.10.14

O PÓS-ELEIÇÃO DA ESQUERDA

Por Bráulio B. Wanderley

No quadro político atual, a ex-esquerda viciada em cargos escolhe as melhores conveniências para justificar oportunismos.
E assim me convenço cada vez mais sobre o meu voto nulo neste segundo turno.

Como afirmou recentemente Mauro Iasi, "a maior tarefa da esquerda será após a eleição".

As escolhas equivocadas dos aliados de (qualquer) ocasião levaram dirigentes do PT à Papuda, à ascensão da maior bancada reacionária desde a redemocratização em 1985 e à despolitização do povo, encantado com seu "novo patamar de consumo", cuja prática alternou a dinâmica econômica das dívidas dos cheques especiais e dos cartões de créditos para os denominados empréstimos consignados, uma reprodução atualizada dos barracões dos antigos latifúndios para os trabalhadores semi-escravizados.

As políticas compensatórias, seguidas por tucanos e petistas, reafirmam os alertas feitos pela esquerda nos anos 90, marcados por duros combates às políticas neoliberais orientadas pelo consenso de Washington, a ponto de serem aplaudidas pelo FMI e pelo Banco Mundial, algo suspeitoso para a esquerda se animar.

A rede de corrupção enriquece os mesmos algozes do Estado, oriundos da ditadura e da sua sequência civil no período Sarney.
Aécio Neves e Dilma Rousseff disputam a preferência do eleitorado sob o patrocínio do mesmo capital que assalta esse país há décadas. Com poucas nuances que os diferenciem, um mais e outra menos neoliberal, não restou à esquerda a opção do voto nulo após declarar apoio crítico ao PT em duas eleições seguidas.

A tão propalada reforma política foi antecipada pela grande mídia ao impor censura às candidaturas ideológicas, sem que sequer fossem chamadas aos debates e entrevistas, rasgando o que regulamenta o "aspecto sócio-educativo e cultural das rádios e tvs". A cláusula de barreira foi uma realidade triste para tornar estas candidaturas  desconhecidas da maior parte do povo brasileiro.

Os últimos oito anos simbolizaram o aprofundamento da direitização do neopt e de legendas satélites, cada dia mais burocráticas e longe das lutas populares que denotam as reais demandas do povo.

Alguns desses partidos, outrora pertencentes ao campo popular, resta um belo passado pela frente.

Infelizmente, após a maior crise da esquerda brasileira, com os sucessivos rachas do PCB após os anos 60, o PT conseguiu a estranha façanha de levar essa mesma esquerda reorganizada após 21 anos da ditadura a um descenso maior, seja nos movimentos populares, sindicais e juvenis, descredenciando organizações como a CUT e a UNE, hoje transformadas em apêndices chapas-brancas dos seus respectivos governos.

De sobra e em pequena atmosfera restaram poucos resistentes que levarão alguns anos para se constituírem em reais alternativas de poder.
Por fim, excetuando PCB, PSOL e PSTU, vamos ver quem vai fazer autocrítica e somar forças para um poder popular realmente transformador e de perspectiva socialista.

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