27.10.14

ANÁLISE DO QUADRO PÓS-ELEITORAL

Por Bráulio B. Wanderley

Numa eleição despolitizada, repleta de ataques pessoais e com apenas 3 milhões de votos a frente de seu opositor, Dilma Rousseff (PT) promete fazer um governo melhor que o atual e por a reforma política em pauta já no início de seu novo mandato.

Reeleita com pouco mais de  53 milhões de votos, Dilma venceu em 15 estados, enquanto Aécio Neves (PSDB) venceu em 11 e no Distrito Federal.
De certo, mesmo com algumas vitórias em palanques estaduais, o novo governo terá problemas com aliados derrotados neste segundo turno estadual, a exemplo de Henrique Alves (RN), que deixa a câmara dos deputados após 10 legislaturas e de Eunício Oliveira (CE) que regressa ao senado, ambos do PMDB.

O PT teve sua bancada reduzida e os partidos aumentaram sua representação de 22 para 28, o que exigirá mais diálogo com a base aliada. Noves fora que é o mais desqualificado e conservador cenário congressual desde 1964.

Não se sabe ainda como ficarão PSB, PV e PSC que apoiaram seu governo, mas lançaram candidaturas próprias e no 2° turno apoiaram o oposicionista tucano.

Dilma e o PT devem trabalhar para mostrar aos brasileiros que podem ir além das denúncias de corrupção e dos programas sociais. As urnas clamaram por mudanças nos estados e por pouco não levaram o PSDB à presidência da República.

Aécio é um político jovem e tem a tribuna do senado pelos próximos 4 anos, Alckmin vai depender de seu novo governo em São Paulo e pode ser outro nome tucano em 2018, já o PT, por ora, se limita ao nome do ex-presidente Lula. 

Marina é uma incógnita pelas contradições cometidas e as dificuldades de relação com o PSB e outros partidos de sua coligação, deve se esforçar para legalizar a Rede, atrair quadros e disputar os pleitos municipais de 2016.

Já o PSB, órfão desde a morte de Eduardo Campos, tem uma crise interna para resolver e deve enfatizar os governos de Pernambuco e do Distrito Federal como suas vitrines de gestão.

O DEM, menor expressão da direita em todos os tempos, deve se fundir a outra legenda ou se dissolver a luz dos interesses de seus detentores de mandatos. O mesmo ocorre com o PPS, cujo rumo deve ser a fusão com o PSB, após o fracasso da criação do MD com o PMN.

Quanto aos partidos da esquerda socialista (PSOL, PCB e PSTU), a ideia de aproveitar as últimas três eleições para divulgar seus quadros, fortalecer e  formar e novos diretórios deve dar lugar à Frente de Esquerda. Mas vai depender das conversas entre as siglas, suas relações nas bases dos movimentos sociais e de uma possível reforma política.

A conferir.

Nenhum comentário: