27.8.14

ILEGALIDADE ELEITORAL SOB ANUÊNCIA DO JUDICIÁRIO E DA MÍDIA



Por Bráulio B. Wanderley

Falar em democracia eleitoral no Brasil é hipocrisia. Apenas os candidatos do poder econômico tem aparição midiática, o que contradiz legalmente o princípio de concessão pública, ou seja, o dever de informar ao povo sobre os postulantes a representá-lo é aberta e cinicamente desrespeitado sem sequer uma ação remediativa por parte do Ministério Público Eleitoral e do Tribunal Superior Eleitoral.

Perguntem às pessoas os nomes dos 11, sim ONZE, candidatos à presidência que a resposta, além de uma interjeição de espanto, vai ser um "não sei, só conheço 3 ou 4".

A Globo só chamou ao Jornal Nacional, para uma entrevista de 15 minutos, aqueles que tiveram mais de três pontos percentuais nas pesquisas de intenção de votos. Na ocasião, pela ordem de aparição: Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB), Dilma Rousseff (PT) e Pastor Everaldo (PSC).

Luciana Genro (PSOL), Mauro Iasi (PCB), Zé Maria (PSTU), Rui Costa (PCO), Levy Fidelis (PRTB) e Eymae (PSDC) tiveram pífios 40 segundos.

A TV Cultura também não foi diferente. O Programa Roda Viva, hoje policiado pelo DIP do governo tucano, chamou apenas os três primeiros colocados (Dilma Rousseff recusou o convite).

Eleição não é campeonato brasileiro para ter séries ou divisões. O povo brasileiro tem o direito de saber quais são os candidatos e candidatas, partidos, coligações e plataformas de governo, assim como a mídia televisiva, radiofônica, impressa e virtual tem a contrapartida de divulgar com a verdade e a seriedade que o cidadão merece.

Eis que volta e meia, quando o surge o debate sobre a democratização da mídia, os setores conservadores comandados pelo consórcio das famílias Civita, Mesquita, Frias e Marinho, no que Paulo Henrique Amorim acusa de PiG - Partido da imprensa Golpista -, esperneia fascista e escandalosamente a medida que considera como "patrulhamento ideológico e a censura".

Que os meios de comunicação assumam suas convicções, como em outros países e, sobretudo, não patenteiem a verdade pela exclusão da nossa já limitada democracia eletiva.

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