4.4.14

CONJUNTURA NACIONAL

Coluna semanal que analisa os fatos políticos que marcam Pernambuco e o Brasil

Por Bráulio B. Wanderley

Eduardo Henrique Accioly Campos, agora ex-governador, merece um destaque interessante durante os seus sete anos e três meses de governo: não sofreu oposição parlamentar, o que não quer dizer que não houve insatisfações na base, mas uma submissão nunca vista antes em Pernambuco.

Ao assumir em 2007, a ALEPE contava com cerca de 10 silenciosos opositores, dentre os quais estavam o DEM, o PSDB e o PMDB. Hoje, esses mesmos opositores são governo e a dupla PT/PTB faz mera cena eleitoral.

Pernambuco nunca viu tamanha despolitização do seu ambiente político. As adversidades devem existir pelo bem da nossa própria evolução de debater com a sociedade e demonstrá-la que existem os que resistem ao status quo.

O agora ex-governador vai encarar a eleição presidencial contra sua ex-colega de ministério Dilma Rousseff (PT) e "contra" o tucano Aécio Neves a quem foi opositor durante o mandato de FHC.

A "esquerda" que se curvou aos interesses do capital nos últimos 50 anos mostra três palanques que não dizem nada com coisa alguma, onde cabe uma pergunta: suprimindo os nomes, qual a maior diferença entre os três candidatos?

Ambos pretendem "ajustar" a economia, entende-se por ajustar, favorecer o empresariado às custas dos trabalhadores.

Ambos pretendem "cumprir os acordos do Brasil com os credores" sem fazer, sequer, uma auditoria das dívidas interna e externa.

Nenhum tem compromissos objetivos de encarar a Educação como prioridade de Estado, federalizando-a. Assim como deveria proceder com a saúde quanto ao fortalecimento do SUS, ao contrário, insistem nas privatizações/concessões como alternativa única sem que isso favoreça a quem recorre a esses serviços públicos.

Falando em privatizações, a tríade Rousseff, Campos e Neves assumem posturas ambíguas, de modo proposital ao confundir o cidadão-eleitor, negando, por mero oportunismo, um debate de aprofundamento da democracia participativa com plebiscitos e referendos populares acerca dos temas nacionais de maior relevância.

A saber, alguns aliados da tríade:

Dilma Rousseff (PT) - Renan Calheiros, Michel Temer, Fernando Collor, José Sarney, Paulo Salim Maluf.

Aécio Neves (PSDB) - Marco Maciel, Fernando Henrique Cardoso, José Roberto Arruda, Joaquim Roriz.

Eduardo Campos (PSB) - Jorge Bornhausen, Roberto Freire, Inocêncio Oliveira, Joaquim Francisco, Severino Cavalcanti, o ex-desafeto Jarbas Vasconcelos.

Quem quer mudar, camaradas, não permanece com os mesmos.

As candidaturas presidenciais do Professor Mauro Iasi (PCB) e do senador Randolfe Rodrigues (PSOL) simbolizam a pauta do Brasil das manifestações de junho, não abarcam na velha política do conchavo de alianças eleitoreiras e demarcam campos importantes sobre as questões que devem e precisam ser debatidas com o conjunto do povo brasileiro, como as supracitadas Educação, Saúde, segurança pública e cidadã, reformas agrária e urbana, democracia participativa.

PS.: Ao passar a faixa de governador para o correligionário socialista João Lyra Neto, a continuidade do seu governo está assegurada, tanto na máquina pública quanto no viés de gestão que isola os principais setores do povo: Educação, Saúde, Segurança Pública e infraestrutura. Não se pode esperar muito em sete meses, mas algo de estranho pode acontecer no reino da Dinamarca, como afirmara Shakespeare.

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