13.3.14

GREGÓRIO BEZERRA, MAIS QUE UM EXEMPLO

Por Bráulio B. Wanderley

Gregório e Chico Buarque
Hoje aniversaria em materialidade, se vivo fosse, Gregório Bezerra, pernambucano de Panelas, mas sobretudo um internacionalista. Eu mesmo tive a iniciativa de propor uma singela homenagem, batizando o Diretório Acadêmico da Faculdade de Formação de Professores de Nazaré da Mata (FFPNM/UPE) com seu nome, durante as celebrações de seu centenário em 2000. Lá se foram 13 anos desde então, singela, contudo importante, para a imensa contribuição que ele deu à história, à democrática e às lutas dos comunistas brasileiros.

Nessa ocasião, conheci o Camarada, Roberto Arrais, atual secretário político do Partido Comunista Brasileiro na secção de Pernambuco. Grande figura!

Não me atreverei a discorrer muitas palavras a fim de não me tornar redundante, faço deste breve artigo um aparte das centenas de textos que celebram a data natalícia do saudoso camarada. 

Gregório era homem de causa, deixou o Partidão pouco antes de morrer (1983), ao lado do igualmente glorioso Luiz Carlos Prestes, em virtude de mais uma das diversas crises que acometia e acometeriam o PCB, que em pouco menos de uma década iria culminar com as desavenças que levariam à degeneração pública de alguns "arautos" do eurocomunismo que criaram o PPS e tentaram liquidar 70 anos de história do maior partido que este país já teve. Para a glória dos revolucionários, o PCB resistiu.

Gregório era um homem simples, não apenas na origem, mas nos gestos mais humanos. "Tarefeiro" (como gostava de frisar), nunca se deixou levar pelas vaidades de ser um dos maiores dirigentes comunistas que este país já teve.

Durante sua vida, enfrentou o cárcere político das ditaduras fascistas (Vargas e militar) e anos de exílio, sempre de cabeça erguida, com os punhos cerrados com o sangue dos ideais da classe trabalhadora. Gregório representava a essência da revolução proletária nos campos e nas cidades.

Conhecido como um "homem de ferro e fogo", viveu intensos 83 anos e por onde passou: no Brasil, no México, em Cuba ou na União Soviética, sempre foi um combatente. Tal reconhecimento teve alcunha popular em 1946, quando obteve a maior votação para deputado federal constituinte. Um tempo (sem saudosismos) que a esquerda não era subserviente às elites e a opinião não era uma mera demarcação de campo, mas uma trincheira de lutas onde a institucionalidade não era um fim em si mesma, mas um dos vários processos de luta revolucionária.

Não era um sectário, porém, nunca teve pecha de adesista. Nos dias de hoje, sua voz forte e grave se somaria as de milhões de brasileiros nos diversos junhos que hão de vir em manifestações mais organizadas e protagonizadas pelo campo da esquerda popular.

Sem dúvidas, Gregório Bezerra nos priva palavras e nos anima com a pugna corrente de um mundo plural, fraterno e socialista.

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