26.2.14

50 ANOS: ESTÁ NA HORA DE EXUMAR AS REFORMAS DE BASE DE JANGO

João Vicente Goulart em entrevista ao Blog do Zé Dirceu

 João Vicente Goulart tinha apenas sete anos quando foi obrigado a trocar a Granja do Torto numa noite, refugiar-se em São Borja e de lá partir para o exílio no Uruguai. Junto da mãe, Maria Thereza, e da irmã, Denise Goulart, apenas um ano mais nova que ele, o plano daquela noite era aguardar a chegada do pai, João Goulart, na estância no interior gaúcho. Jango, no entanto, só pode reencontrar a família quatro dias depois, no Uruguai. Era o início de um exílio sem retorno. Era o começo de 21 anos de ditadura militar no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao nosso blog, o empresário formado em filosofia, João Vicente, rememora os tempos de exílio e fala sobre o pai, um dos políticos de carreira mais meteórica no país. Próximo do presidente Getúlio Vargas, de quem era vizinho em São Borja e por quem foi lançado na política, Jango foi seu ministro do Trabalho aos 35 anos, duas vezes vice-presidente da República eleito pelo voto direto (de JK e de Jânio Quadros) e aos 42 anos, em 1961, tornava-se presidente da República. Foi deposto três anos depois pelo golpe militar de 1964. A mãe de João Vicente, Maria Tereza Fontella Goulart, foi a mais jovem e é considerada a mais bela primeira-dama do país.

Aqui João Vicente evoca conselhos que recebia do pai. Hoje à frente do Instituto João Goulart, instituição que reúne documentos, programas, fotos e vídeos de Jango, ele conta sobre a luta que trava na reconstrução da memória e, sobretudo, o imenso legado de seu pai para o Brasil.Jango fez história até no momento do seu sepultamento, quando sua filha, Denise, estendeu sobre o caixão uma faixa contendo apenas uma palavra, ANISTIA – a primeira que aparecia publicamente sobre o movimento, ainda em plena ditadura militar.

Um legado detratado pelos golpistas de 1964 que começa a ser reparado, 50 anos depois. Um passo importante neste sentido foi a devolução simbólica do mandato de Jango pelo governo Dilma no ano passado. Na cerimônia, João Vicente mandou sua mensagem ao pai: Jango, a democracia venceu! A história de Jango ainda está para ser escrita e será, certamente, quando a verdade sobre a sua morte aparecer e se souber se ele teve morte natural ou foi assassinado. Após a exumação do corpo do ex-presidente, o país aguarda o resultado final das investigações conduzidas no Brasil e, agora, também na Argentina.

João Vicente, porém, afirma que não apenas o corpo de Jango deve ser exumado, mas também as reformas de base propostas por ele. Reformas que devolveram a esperança para o povo brasileiro e que, segundo João Vicente, precisam ser implementadas para que tenhamos um país que efetivamente atenda as necessidades de seu povo.

Nesta entrevista, João Vicente analisa o julgamento do ex-ministro José Dirceu na AP 470. Ele compara o Supremo Tribunal Federal (STF) à mesma Corte Suprema que deu respaldo ao golpe militar de 64, quando seu então presidente, ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa, convidado, acompanhou o grupo de parlamentares golpistas que na madrugada de 2 de abril foi ao Palácio do Planalto respaldar a posse de um presidente interino Ranieri Mazzili. Tudo em completa ilegalidade, depois que o presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, declarara vaga a Presidência da República, com Jango ainda em território nacional.
Acompanhem a entrevista:

Você tinha quantos anos quando foi para o exílio? E a Denise? Lembra alguma coisa?
[ João Vicente Goulart ] Eu tinha sete anos. Denise tinha seis. As lembranças a essa idade são flashes...


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