4.9.13

EDUARDO E AÉCIO AMIZADE SIM, NAMORO POUCO PROVÁVEL

Imagem Arquivo Folha de S. Paulo

Por Bráulio Wanderley

Não é segredo de Estado que o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) pleiteia ser candidato à presidência pelo seu partido, é legítimo, porém algumas ponderações devem ser refletias:

1. PT e PSDB são os únicos partidos que lançam candidatos próprios desde 1989, quando houve a primeira eleição direta presidencial após da ditadura militar. Feito que divulgou estes partidos, seus números, lideranças e projetos de país.

2. A partir de 1994, a eleição do plano real, essa bipolaridade se acirrou, a ponto do favorito naquele momento, Lula, perder a eleição (com Caravana da Cidadania e tudo), para o ex-ministro Fernando Henrique Cardoso, respaldado pelo Plano Real que estabilizou o moeda e controlou a inflação no governo Itamar Franco (1992-1994).

3. O PSB desde 1989 dedicou seus quadros ao projeto da Frente Brasil Popular (PT-PSB-PCdoB), com o candidato a vice (o então senador gaúcho José Paulo Bisol), substituído sob denúncias de favorecimento de emendas parlamentares pelo então deputado federal paulista Aluísio Mercadante.

4. A única eleição que o PSB disputou com vôo solo foi em 2002, com o ex-governador carioca Garotinho, um neófito convidado pelo então presidente da legenda socialista Miguel Arraes. No segundo turno, voltou a apoiar o PT e ajudou a garantir a vitória de Lula naquele ano contra o tucano José Serra.

5. Em 2006 renovou a aliança com o presidente Lula, apoiando sua reeleição em primeira hora e mais uma vez se opondo ao PSDB, desta vez com Geraldo Alckmin. Portanto, desde 2003 o PSB participa do governo federal.

6. Em 2010, o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, rifou a possível candidatura do ex-ministro Ciro Gomes, que mudou até de domicílio eleitoral, a pedido do presidente Lula, do Ceará para São Paulo, e apoiou a eleição da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT).

7. O PSB continuou na base política do governo federal. Tudo bem, o que motivaria a um rompimento com a base? Não está se pautando um debate por cargos, nem por espaço político, críticas pontuais são feitas por todos os aliados (quem mais criticou a condução cambial que o ex-vice-presidente José Alencar!?). Que alegação plausível teria o PSB para romper com o governo federal?

8. O governador pernambucano sabe bem quanto custa uma eleição: material de campanha, equipe de publicidade, coordenações estaduais, palanques por todo o país, alianças e coligações, tempo de guia eleitoral, etc. Teria o PSB sozinho essa estrutura com algo em torno de dois minutos de tempo de rádio e tv mesmo tendo como candidato o governador com maior avaliação popular do país?

9. Dilma tem a mídia, como presidenta (se consegue pauta positiva ou não são outros quinhentos), Aécio tem a simpatia dos setores conservadores e quer renovar o PSDB há pouco dominado por José Serra, Marina Silva oscila bem entre os que cansaram da bipolaridade PT x PSDB, embora lhe falte o principal, os mesmos requisitos estruturais do governador pernambucano.

10. Noves fora as alianças pontuais em alguns estados e capitais entre PSDB-PSB é muito difícil justificar aos eleitores essa mudança de rumos, soaria, no mínimo como oportunismo descobrir após 10 anos de governo federal que "o PT e Dilma não prestam".

11. Ou Eduardo Campos arrisca vôo solo para aumentar os governadores socialistas e suas respectivas bancadas no senado, na câmara e nas assembleias legislativas ciente que vai "cumprir tabela e demarcar um novo campo político", ou apoia a reeleição de Dilma e constrói as condições para 2018, com o "jogo zerado" e sem dever nada à aliança com o PT.

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