6.5.13

O QUINTAL DOS SONHOS


POR JÂNIO DE FREITAS
 
Nem foi um qualquer, nem foi em qualquer lugar. John Kerry é o secretário de Estado, substituto de Hilary Clinton no cargo mais estratégico dos Estados Unidos e ex-candidato dos democratas a presidente americano. 

Foi no Senado do seu país que ele definiu assim os países da América Latina, quando indagado sobre a situação da influência americana por aqui: 'É o nosso quintal. A nossa vizinhança'. Nenhuma estranheza despontou entre os senadores.

O conceito dispensa comentário, afora talvez para sublinhar sua longevidade na cabeça americana. Mas a ocorrência de uma única reação, entre tantos países, suscita uma questão: os Estados Unidos já nos importam tão pouco a ponto de um insulto feito pelo próprio secretário de Estado nem merecer atenção dos nossos governos?

A América Latina mudou muito nos últimos 12 anos, sim. Mas o Brasil faz clara demonstração de que continuam muitas as forças galináceas, desejosas de voltar a sentir-se no quintal.

A Bolívia preferiu a represália explícita e imediata. Enxotou de lá o pessoal da Usaid, a agência americana que, a pretexto de ajuda, serve de cobertura para preparadores de agitação e de golpes. E de outras generosidades da agência com o quintal: há um punhado de tempo, o documentário 'El Vuelo del Condor', por exemplo, comprovou a esterilização em massa de bolivianas, mutiladas quando supunham apenas passar por seu primeiro preventivo do câncer oferecido pela Usaid.

As relações internacionais são tão tresloucadas, que a relativa tranquilidade deixada à América Latina pelos Estados Unidos, desde o primeiro governo de Bush filho, deve muito à derrubada das Torres Gêmeas e às guerras no Iraque e no Afeganistão. Os americanos ficaram ocupados.

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