6.5.13

O DIA SEGUINTE E A VÉSPERA



POR CARLOS CHAGAS

Com royalties para Hélio Fernandes, o dia seguinte, no Brasil, sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera, como escreve o mestre há várias décadas. Prova disso é o deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. 

Depois de semanas de heresias, o pastor inventou uma pior: vai colocar em votação, semana que vem, projeto que estabelece ser o homossexualismo uma doença, necessitada de tratamento psiquiátrico, de preferência em estabelecimentos fechados, como cadeias.

Outro mestre do jornalismo, Carlos Heitor Cony, lembrava ontem que na extinta União Soviética os detentores do poder substituíram o fuzilamento dos dissidentes por sua internação em hospícios. O raciocínio era de que o regime vigente tinha tanta perfeição que apenas os doidos ousavam insurgir-se contra ele. Assim, eram doentes e precisavam ser tratados, geralmente em estabelecimentos que pareciam médicos, mas eram penais. O pior é que a população fingia acreditar e os empregos de psiquiatra eram muito disputados para o convencimento de quantos o criticavam.

Será isso o que deseja Marco Feliciano? Que todos os homossexuais sejam internados para tratamento psiquiátrico até que esqueçam suas inclinações?

Um comentário:

Anônimo disse...

Parece absurdo a propsota do deputado, mas de fato em algumas situações o homossexualismo , é uma questão patológica. Herança de traumas , outras são inclinações genéticas. Alguns nascem com o homossexualismo atrelado a sua essência.E outras vão se descobrindo. Então todos carecem de análise psicológico.