30.4.13

ATINGIDOS POR BELO MONTE OCUPAM PRÉDIO DA CELPA, EM ALTAMIRA-PA


PUBLICADO NO PORTAL BRASIL DE FATO

Manifestantes organizados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) estão em dia de luta; na foto, famílias do Assurini, que desde domingo estavam em caminhada 
Cerca de 200 atingidos pela barragem de Belo Monte ocuparam na manhã desta terça-feira (3) o prédio da Celpa (distribuidora de energia do Pará) na cidade de Altamira, Pará. Os manifestantes, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão em marcha no dia de hoje para lutar por seus direitos. 
 Diante da recusa da Celpa em comparecer a reunião para discutir o acesso à energia e o preço da tarifa, houve a ocupação. Mediante a promessa de receber os manifestantes em uma outra data, os atingidos desocuparam o prédio e seguiram em marcha pela cidade para denunciar as violações de direitos da população na região onde se constrói a maior obra do país. À tarde, se reuniram com representantes do governo federal, Incra, Luz Para Todos e Norte Energia (dona de Belo Monte) para apresentar suas demandas.
Os manifestantes estão em luta por uma pauta ampla, que inclui um reassentamento de qualidade para os desalojados pela barragem de Belo Monte e acesso a políticas públicas como energia elétrica, estradas e regularização fundiária. Quanto a essas duas últimas pautas, o chefe da unidade avançada do Incra em Altamira, Danilo Farias, afirmou que o órgão está concluindo a fase de georreferenciamento para regularização das terras e afirmou que estão em parceria com a prefeitura de Altamira para conclusão das estradas. 
Participam da manifestação também as famílias do Assurini, na área rural de Altamira, do outro lado do Xingu. Cerca de 50 moradores da região fizeram uma caminhada que começou no domingo (28), para exigir seus direitos, em especial a instalação da energia elétrica, através do Luz para Todos, e a construção de estradas e uma ponte que ligue a região à área urbana de Altamira. A Celpa construiu a rede elétrica no Assurini para atender 600 famílias (10% da demanda), mas até hoje a ligação não foi feita e as famílias vivem no escuro.
Também fazem parte da atividade moradores da Transamazônica que desde o início do mês estão em luta por energia elétrica, reformas e sinalização nas estradas, acesso ao transporte escolar e regularização fundiária. Somente entre a cidade de Altamira e o km 40 da Transamazônica, há mais de 100 famílias que nunca tiveram acesso à energia elétrica, mesmo morando debaixo de um linhão.
Casas de concreto não
A barragem de Belo Monte vai atingir mais de 7 mil famílias nas áreas alagadas de Altamira, os chamados baixões. “No entanto, o que a Norte Energia pretende fazer não são reassentamentos, mas meros loteamentos na periferia da cidade, para menos de 5 mil famílias, sem garantir o acesso a educação, saúde, transporte e renda”, afirma Claret Fernandes, militante do MAB. Além disso, a empresa, que antes oferecia três modelos de casa (de 63, 69 e 78 metros quadrados) em alvenaria, agora oferece apenas o menor deles e com paredes de concreto, que despertam a desconfiança da população.
“O povo quer saber por que houve a mudança na proposta de reassentamento e questiona por que não pode escolher o material e o modelo de suas casas. Nós não pedimos para a barragem vir e nos tirar de nossas casas e agora queremos ter o direito de melhorar de vida”, afirmou Edizângela Alves, atingida pela barragem e militante do MAB. "Vocês dizem que a barragem vai trazer desenvolvimento, mas esse desenvolvimento não chegou para o povo."
Os representantes da Norte Energia presentes na reunião, Paulo Roberto Costa, Ruy Alberto e Amaury Carvalho, repetiram o que a empresa vem dizendo em outras ocasiões e não explicam porque houve mudança de projeto e porque a Norte Energia pretende fazer casas que, como reconheceram, não estão sendo bem aceitas pela população.
Também estiveram presentes na atividade também famílias da ocupação urbana Novo Horizonte, do município vizinho de Brasil Novo. Sob impacto da barragem de Belo Monte, que fez aumentar muito o preço dos aluguéis na região, 173 famílias, organizadas no MAB, ocuparam um terreno abandonado pela prefeitura e reivindicam que ele seja regularizado.

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