30.3.13

"ELE RESPONDERÁ NA JUSTIÇA PELAS DECLARAÇÕES RACISTAS, HOMOFÓBICAS E PRECONCEITUOSAS", DIZ ÉRIKA KOKAY



A deputada federal Erika Kokay participou do lançamento da Frente Parlamentar nesta quarta-feira(20)
Crédito : Alexandra Martins/Câmara dos Deputados

A deputada Erika Kokay (PT-DF) defendeu nesta quarta-feira (20), durante cerimônia de lançamento da Frente Parlamentar de Direitos Humanos na Câmara Federal, a investigação criminal do deputado pastor Marco Feliciano - eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa no último dia 7 - por suas declaracões consideradas racistas, homofóbicas e preconceituosas.

"Em mais uma declaração absurda, o deputado afirmou que a independência das mulheres destrói famílias e alimenta o 'homossexualismo'", criticou Erika Kokay, mencionando uma entrevista concedida pelo pastor em junho de 2012 para o livro “Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil”.

Na reportagem, reproduzida na página 155 do livro, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (20) pelo jornal O Globo, o pastor afirma que “quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos".


Feliciano diz ainda que "quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”.

Para Erika Kokay, “a candidatura do pastor (à Presidência da CDHM) fere o regimento (da Câmara dos Deputados) porque não são desconhecidas as posturas dele contra os gays e negros".

"A presidência da CDHM deve estar nas mãos de quem luta pelo bem da sociedade sem preconceito por cor, religião ou orientação sexual. A CDHM não pode ser presidida por uma pessoa que acredita que uma mulher não deve sair de casa e ser independente, que não apoia a luta histórica de feministas, que lutam diariamente contra o modelo patriarcal que leva a morte milhares de mulheres todos os anos. A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos é um espaço democrático e está aberto aos que lutam por um país mais justo onde caibam todas e todos!", defende Erika.

Além das declarações polêmicas, Marco Feliciano responde pelo crime de estelionato no Supremo Ttribunal Federal (STF). Ele é acusado de obter vantagem ilícita no valor de R$ 13 mil em um contrato de produção de um evento não cumprido pelo parlamentar.

Frente Parlamentar atuará paralelamente à Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Em declaração desta quarta-feira (20), Erika Kokay afirmou que a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos se propõe "como espaço para que as minorias historicamente discriminadas e perseguidas continuem tendo voz dentro do parlamento brasileiro".

"Com uma coordenação colegiada, esta é a primeira vez que se fez necessária à constituição de uma frente parlamentar em defesa dos direitos humanos nos 18 anos que a CDHM foi formada. E esperamos que ela dure muito pouco tempo, já que a pressão popular para a destituição do deputado Feliciano vem crescendo e não vai parar até que ele saia do cargo que ocupa indevidamente", afirmou a deputada.

Na opinião da parlamentar, a Frente constituirá uma estrutura "em que os setores que se sentem sensibilizados possam ter um canal de comunicação dentro do Congresso”.
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) falou sobre ações que serão desenvolvidas pelo colegiado. “A Frente não delibera, não aprova projeto de lei, não relata. Ela é a garantia de uma discussão política", destacou o parlamentar.

Vídeo divulgado pela assessoria de Feliciano será investigado

No início desta semana, circulou pela internet um vídeo com ataques aos deputados da nova frente parlamentar e a defensores dos direitos da comunidade LGBT. 
“Precisamos apurar se a produtora de vídeo que fez essa peça ofensiva, discriminatória, racista, antimulheres e homofóbica o fez a expensas do próprio parlamentar, no uso do seu mandato público em benefício privado”, afirmou o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), citado no vídeo.

O parlamentar, que também integra a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, disse que pretende apresentar à Corregedoria da Câmara uma investigação sobre o caso, na próxima semana. 

Confira abaixo o nome dos coordenadores da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos 

1. Chico Alencar (PSOL-RJ) – liberdade à crença e à não crença;
2. Domingos Dutra (PT-MA) – democratização da terra;
3. Erika Kokay (PT-DF) – crianças e adolescentes;
4. Janete Pietá (PT-SP) – gênero;
5. Jean Wyllys (PSOL-RJ) – LGBT e outras expressões de gênero;
6. Luiza Erundina (PSB-SP) – verdade e direito à informação;
7. Luiz Couto (PT-PB) – violência e grupos de extermínio;
8. Luiz Alberto (PT-BA) – temas étnicos e raciais (1);
9. Padre Ton (PT-RO) – temas étnicos e raciais (2);
10. Nilmário Miranda (PT-MG) – combate à tortura e sistema carcerário;
11. Vitor Paulo (PRB-RJ) – idosos e pessoas com deficiência.

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