14.12.12

"EU NÃO TOLERO A CORRUPÇÃO", AFIRMA DILMA EM ENTREVISTA AO LE MONDE


Em entrevista ao "Le Monde", ela condena "caça às bruxas"

Fernando Eichenberg
Correspondente

Dilma com o presidente francês Hollande, em Paris
PARIS - A imagem da presidente Dilma Rousseff, com o semblante austero, sob um fundo escuro, exibindo um meio sorriso, ocupou o principal espaço da capa da edição de ontem do jornal francês "Le Monde", ao lado de uma declaração: "Eu não tolero a corrupção". No início da reportagem, o jornal diz que a visita de Dilma a Paris, onde se reuniu com empresários, representantes do governo francês e o presidente François Hollande, foi ofuscada pelas novas denúncias do operador do mensalão, Marcos Valério, que acusou o ex-presidente Luiz Inácio 
Lula da Silva de ter recebido dinheiro do esquema.

Na entrevista exclusiva, Dilma, ao ser perguntada sobre os problemas de corrupção no país, criticou a "caça às bruxas", elogiou Lula e disse que não pensa agora numa possível reeleição:
- Eu não tolero a corrupção, e o meu governo, também não. Se há suspeitas fundamentadas, a pessoa deve partir. Certamente, não se deve confundir essas investigações com a caça às bruxas próprias aos regime autoritários ou de exceção. Para ser candidato em uma eleição, os brasileiros devem se sujeitar à Lei da Ficha Limpa, não podem ter sido condenados. O Ministério Público é independente, a Polícia Federal investiga, prende e condena. E quem começou essa nova etapa de governança foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - disse a presidente.

Dilma frisou que a corrupção atinge a todos os países:
- A sociedade deve ter acesso a todos os dados governamentais. Todos aqueles que utilizam recursos públicos devem prestar contas. Senão, a corrupção domina. É preciso ser voluntarista. Graças às novas tecnologias, o Brasil criou um Portal da Transparência, que registra todas as despesas públicas no próprio dia - acrescentou.

Sobre concorrer à reeleição, disse:
- Tenho dois anos de governo diante de mim. Não é a hora de pensar nisso. Seria colocar a carroça na frente dos bois.

Dilma defendeu a construção da usina de Belo Monte:
- Não há índios nas proximidades da usina hidrelétrica. Os mais próximos estão a 70 quilômetros. As águas não cobrirão as suas terras.

Sobre o fraco crescimento brasileiro este ano, disse que o Brasil está passando por uma "fase de transição", causada pelos efeitos da crise internacional:
- Tivemos de adotar medidas estruturais, como a redução da taxa de juros. Pela primeira vez desde décadas, elas se aproximam daquelas do mercado internacional. Isso levou a mudanças de rentabilidade. O aumento do investimento produtivo ainda não substituiu a queda dos investimentos financeiros. E a desvalorização cambial das moedas dos países desenvolvidos provocou uma valorização do real, o que nos foi prejudicial.

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