8.10.12

PERFIL ELEITORAL DO BRASIL

Por Bráulio Wanderley*

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As eleições de prefeitos(as) deste ano mudaram a forma de fazer política, porém, nem sempre a forma de se escolher o voto.

Os comícios estão quase extintos, devido ao fim dos showmícios, as caminhadas nos bairros e as barulhentas e abusivas, dos pontos de vistas ambiental e econômico, carreatas viraram a bola da vez, sem falar nos cavaletes que são postos na Cidade, forçando a barra no requisito poluição visual, seja por feiuras, excessos de photoshops ou atrapalhar o trânsito ou tráfego de pedestres.

No geral, ganha quem tem mais carros plotados, desrespeita as leis de trânsito, paga mais "militantes" (em outros tempos eram cabos eleitorais pagos), quem põe mais "fiscais" (outrora bocas-de-urnas).

Já a escolha de um(a) vereador(a) é pautada por três elementos: amizade, "favor" ou ideologia.

A amizade entre pessoas é um dos elementos que mais multiplica os votos, pois, sempre há algum parente, vizinho que não tem candidato e é influenciado pela relação entre quem indicou ou "pediu" o voto.

O "favor" é a substituição do que na verdade deveria ser tratado como DIREITO, mas no nosso país, herdeiro de feitores, ainda vigora como princípio na hora de votar. É uma consulta (fura-fila) no hospital, um cargo público por QI (quem Indica), cimentos e tijolos nunca saem de moda.

A ideologia, ah! A ideologia... Esse debate é o que menos influencia as pessoas. Num país em que a Política foi despolitizada por meio de alianças, no mínimo estranhas, posturas não condizentes com propósitos à direita ou à esquerda e muito menos a biografia do(a) candidato(a). Tudo pela (famigerada) governabilidade institucional. Ideologia no município rende pouquíssimos votos de opinião.

As pessoas deveriam travar o debate sobre como querem sua Cidade: limpa, bonita, organizada, arborizada, com políticas de mobilidade/acessibilidade, Educação e Saúde condizentes com a dignidade humana, servidores valorizados e segurança cidadã.

Mas infelizmente a confusão entre o público e o privado prevalece. Postulante à Câmara Municipal que diz que "vai melhorar o bairro X, com ruas, praças e postos de saúde". Um completo sarau de desconhecimento sobre o papel de legislar.

Enfim, não temos, às vezes, o perfil político que queremos porque não avançamos na Cidadania que deveríamos exercer.

*Bráulio Wanderley - Historiador, pós graduado em Geografia, Mestrando em Educação.

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