3.7.12

SABE LER QUEM LÊ, SABE ESCREVER QUEM ESCREVE


POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG DE CARLOS BRITTO

Neste artigo enviado ao Blog (de Carlos Britto), a especialista em comunicação, Lilian de Souza Farias, explica a importância de uma boa leitura, mas deixa claro que isso não está inteiramente associado ao fato de saber escrever.

Confiram:


A importância que a linguagem escrita desempenha no mundo ultrapassa os muros escolares, além de ser um método de avaliação dos estudantes brasileiros. Digo mais, um dos mais temidos. Contudo, tal ‘método’ é utilizado por nós com uma frequência significativa. Isso acarreta concluir que o texto escrito, exigido pelo ENEM ou vestibular, não acaba com a prova. Ou seja, na faculdade, na lista de compras, no cartão de Natal, no bilhete da geladeira, no anúncio, no trabalho, na escola, no ENEM etc. nós estamos ou estaremos produzindo textos sempre.

Segundo a Professora Irandé Antunes ‘a escrita é uma manifestação verbal das ideias’ (…). Saber o que escrever é oportuno e essencial, mas como organizar tais ideias na hora da prova? Como saber o que escrever? O que é escrever? Quem possui conhecimentos da norma padrão da língua sabe escrever? Se eu leio, eu sei escrever?

O propósito das perguntas é nos fazer refletir sobre o conceito da produção textual; desmistificar alguns mitos e conduzir os leitores a uma luz quanto à arte de escrever.

Entende-se a escrita como uma ação da linguagem verbal, dotada de princípios ideológicos e significados feitos para comunicar. Quem escreve, pressupõe-se que o faz para um leitor. Na redação do ENEM o leitor em questão é a banca examinadora, positivamente pessoas de carne e osso com uma carga significativa de conhecimentos acerca da língua materna e do mundo.

O ponto de partida é organizar as ideias, saber o que escrever. Por mais que domine as normas gramaticais da língua padrão, se a carência de informações for predominante as palavras se farão ausentes. Certamente as informações não caem do céu como chuva. Leia, assista, ouça, pesquise!
critério de formalidade, na escrita, exigido na redação do ENEM, impõe o conhecimento de estrutura e planejamento das palavras. As regras de sintaxe e semântica devem ser respeitadas. Isso não significa que só sabe produzir textos quem domina tais regras. Ou que saberá produzir textos quem anda com uma gramática a tiracolo vinte e quatro horas por dia.

Quanto à leitura, ela é importante. Às vezes é comum ouvir pessoas afirmarem que quem lê sabe escrever. Mas vamos analisar cuidadosamente essa afirmativa: a leitura será o subsídio para materialização das informações, o alavancar de determinados conhecimentos. Lógico que quem lê duzentos livros por ano, terá muito mais facilidade com a escrita, mas não nos enganemos. Sabe ler quem lê. sabe escrever quem escreve! 
Isso implica afirmar que quem aprecia uma boa história em quadrinhos ou textos que não se enquadram na norma padrão da língua, não está condenado a ser um ‘péssimo escritor’.

Sentenciando melhor tudo o que foi exposto: exercite! Produção de texto exige prática. Desenvolva seu repertório; mantenha-se informado; escreva e reescreva; estabeleça temáticas e tipologias textuais – carta, paródia, artigo, dissertação, ata, crônica etc. saiba várias opiniões sobre a mesma temática; planeje previamente. Dessa forma atingirá maturação quanto ao exercício da escrita.

E o mais importante: saber escrever é um direito de todo cidadão. Quando escrevemos, materializamos nossos direitos. Quando escrevemos a ponte da interação nasce. A palavra passa ter vida própria e nos eternizamos.

Para produzir esse texto foram necessários, como fonte de informação, três livros, dez artigos e duas revistas. Reescrevi e o li repetidas vezes.

Lilian Farias/ Residente em Aracaju (SE) – Graduada em Letras – Pós-Graduada em Linguística – autora do livre “Encontros para Liberdade” e Colunista do Site “Literatura de Cabeça"

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