17.7.12

LULA, EDUARDO CAMPOS E O NORDESTE: AS CONTRADIÇÕES EM PROCESSO


Por Geraldo Júnior

A análise da conjuntura sempre nos mostram delicadezas e fragilidades que muitas vezes só o longo prazo desnuda. É dentro desse pressuposto que é preciso analisar o atual dilema existente entre o Partido dos Trabalhadores - PT, que tem como maior líder o ex-presidente Lula, e o Partido Socialista Brasileiro - PSB, que tem como presidente o governador Eduardo Campos.

Quando sinalizo a necessidade de enxergamos nessa análise o longo prazo dar-se em virtude do que está posto para a região Nordeste em termos de mudança do veio econômico e quais atores e com que interesse foi guiado tal percurso.

A verdade é que até o governo Lula a economia do Nordeste possuía como eixo central de crescimento o Estado da Bahia, pela sua extensão territorial, pelo complexo industrial e agroindustrial nos vários espaços que compõe o seu território. Entre Salvador, Feira de Santana e Camaçari estavam posicionados os principais elementos industriais e logísticos na inter-relação entre o Nordeste e o Centro Sul.

Porém, com o Governo Lula o veio econômico da região Nordeste migra para Pernambuco, alterando substancialmente a dinâmica espacial do trabalho e dos investimentos do Governo Federal na região Nordeste.

Para o Estado de Pernambuco foram careados pesados investimentos a base de financiamentos do BNDES, isenção fiscal de Imposto de Renda, Imposto sobre Produtos Industrializados e ICMS em vários empreendimentos estratégicos, a exemplo da Refinaria Abreu e lima, do Estaleiro Atlântico Sul - EAS, da HEMOBRAS, da Transnordestina, da Transposição do Rio São Francisco, da instalação da montadora da FIAT etc.

O embate que o Estado de Pernambuco e o País assiste nos dias atuais pela Prefeitura da Cidade do Recife entre o PT e PSB pôs em xeque o legado desse conjunto de obras que, sem dúvida, transforma a economia de Pernambuco e cria forças centripetas de todo o nordeste na direção do Estado.

A luta fraticida só antecipou um embate que, quando esquecemos a análise de conjuntura, o curto prazo, e projetamos esse tabuleiro de xadrez mais adiante só é possível enxergar que o que se disputa na verdade é a paternidade do “novo Nordeste” em plena transformação.

Não podemos esquecer que a região desde o inicio dos anos 80 é quem possui as maiores taxas de crescimento do PIB e, hoje, com esse conjunto de ações possuirá num futuro próximo a capacidade de dar um salto qualitativo ainda maior.

O "velho" Karl Marx em um de seus livros escreve que existe uma diferença entre a aparência e a essência dos fenômenos políticos e nós, nos dias atuais, o que estamos vendo nada mais é do que a aparência das coisas, porque a essência é a disputa pelo legado de um “novo Nordeste”, apesar das contradições que existem, mas, os estrategistas petistas e socialistas possuem diante de si o desafio de mexer nas peças do tabuleiro de forma que possa mostrar para a sociedade brasileira a quem realmente foi, é e será o melhor para o “novo Nordeste”.

 *GERALDO FRANCISCO DA SILVA JUNIOR

Economista e exerce atualmente o cargo de Diretor-Presidente da AMMA/Petrolina

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