4.7.12

CARTA AO COMPANHEIRO MAURÍCIO (RANDS)


Estimado Companheiro Maurício Rands,

Em 2001 tive a honra em conhecê-lo na condição de secretário de assuntos jurídicos da Prefeitura da Cidade do Recife, por meio de um trabalho formidável que resultou numa gloriosa vitória na eleição de deputado federal em 2002. Destacado, foi relator da reforma previdenciária (perdeu clientes na sua banca advocatícia), conseguiu aprovar uma PEC de sua autoria, a dos agentes de saúde, presidiu a maior comissão da câmara AINDA NO SEU PRIMEIRO MANDATO, a CCJC! Liderou o PT durante a crise de 2005, em 2006 tive a honra de apoiar sua reeleição aqui em Petrolina.

Tentou postular a PCR em 2008 e foi preterido pelo então prefeito João Paulo, que preferiu brigar com o PT Nacional, com Lula e com todo mundo para indicar seu então secretário João da Costa... Deu no que deu. Em 2010 você se reelegeu fácil, mas preferiu ser secretário estadual de governo, talvez para mudar os ares, mas foi para uma pasta formatada para não estar à altura da sua competência.

Desde 2011 você estava mais próximo ao palácio que do PT, tal pecha lhe rendeu nas prévias a marca de "candidato de Eduardo Campos", causando grande desgaste junto à militância do PT.

Sobre as prévias, você e João da Costa sabem melhor que ninguém... Mas na sua Carta ao Povo de Pernambuco, você endossa um discurso que foge à razão da sua renúncia em prol ao senador Humberto Costa como alternativa para unir o PT e a Frente Popular. Infelizmente, as coisas no PT não permitiram a unidade interna e lideranças da Frente Popular não apoiam Humberto, nem apoiariam você (pelo mesmo pretexto do desgaste interno) e muito menos o prefeito João da Costa. Massacraram o PT, usaram a sua biografia como um desagregador, vitimizando o prefeito por meio da péssima condução do Diretório Nacional sobre o Recife.

Sua chegada ao Recife, após reunião com a CEN e o presidente Rui Falcão, conotava um possível acordo de retirada de candidaturas (a sua e a do prefeito), já que a ausência de debate, as provocações dos dois lados na mídia e a judicialização das prévias inviabilizaram as pretensões de vocês.

Como o deputado João Paulo foi, à vista de parte do PT, o "culpado" pela crise recifense, a alternativa preferida pelo ex-presidente Lula e pela sua corrente, a CNB, era o nome do senador Humberto Costa.

Cancelada a 2ª prévia após a sua desistência, assistida pelo conjunto das lideranças que apoiaram a sua pré-candidatura, particularmente, não compreendi sua mágoa. O DN, majoritário pela CNB, corrente interna que você militava, indicou o companheiro que você, disciplinarmente, apoiou como nome de consenso e esperava do prefeito João da Costa o mesmo gesto.

Talvez a insistência do atual gestor na luta para ser o candidato do PT o tenha transtornado tanto.

A verdade, Maurício, é que o único derrotado é o PT. Preteriu o prefeito, desgastou um grande deputado (nunca o enxerguei como secretário de relações internacionais), impôs o nome de Humberto, que se for vitorioso deixa um brilhante mandato para seu opositor nas eleições de 1988, o ex-prefeito Joaquim Francisco, e inverteu a "traição" de João da Costa para João Paulo. Apenas uma pessoa se deu bem neste enredo, perdendo o candidato, perdia o PT, vencendo o candidato o mérito seria da popularidade de "um novo modelo de gestão ".

Gestão esta que Humberto, você, Dilson Peixoto, Isaltino Nascimento, Luciana Félix, entre outros fizeram ou ainda fazem parte.

Sua saída não foi digerida por nenhum militante do PT que enxerga a Política como maestra da democracia, da unidade pela diversidade, do bom debate e mesmo após o maior desgaste do PT no Brasil, você voltasse ao seu mandato e fosse mais uma vez brilhante.

Respeito, mas não compactuo com a sua decisão.

Sair da política é difícil, talvez você não quisesse enfrentar o processo de infidelidade partidária, a exemplo do nosso companheiro Paulo Rubem (2007) ao migrar para outra legenda; sair do governo foi um recado militante, a entrega de uma secretaria cujo espaço era ocupado pelo PT; apoiar o ex-secretário Geraldo Júlio, seu colega e companheiro de governo, não soou legal, reafirmou que a sua postulação era palaciana. Não falo como petista, mas como historiador.

Não se deixe levar pelas focas que hoje o aplaudem, há pouco mais de um mês o achincalhavam de "boneco", "menino de recado" e outros impropérios.

Seu retorno à vida pública é inevitável, uma questão de tempo. Você sabe que militantes sociais não tem como marca a omissão, a covardia ou a indiferença. Em outras trincheiras,  talvez em lados iguais, nos encontraremos em breve na luta pelo povo brasileiro e por Pernambuco.

Um forte abraço.

Bráulio de Barros Wanderley
Historiador, Mestrando em Educação e Militante Petista.

Nenhum comentário: