18.2.12

É PRECISO REINVENTAR O CARNAVAL DE PERNAMBUCO

Por Bráulio Wanderley

O eixo Recife/Olinda tem um dos melhores carnavais do Brasil, porém, ainda se salva por ser multicultural, mas não é um carnaval que a juventude e a galera dos 30 anos deseje que permaneça com este formato.

São as mesmas músicas várias vezes ao dia em todo o trecho de Olinda e do Recife. Até parece que faltam artistas e criatividade, onde na verdade faltam incentivos, divulgação e uma maior massificação cultural no decorrer do ano.

Desafio os xenófobos de plantão a contarem nas ladeiras de Olinda quantas vezes se canta a mesma música. A gente só curte porque tá geralmente tomando uma porque, na boa, disco arranhado é terrível.

No Rio tem pagode e samba o ano inteiro, na Bahia é axé todo dia e a toda hora lançamentos nas rádios, mídias, shows, novos talentos e bandas.

No Recife nos confortamos as mesmas marchinhas da metade do século passado que só são tocadas no carnaval justamente pra que a gente não enjoe mais.

Eis alguns trechos lindos, mas que estão superados pela ausência de novos, para quem estiver brincando o (mesmo) carnaval de todos os anos:

" Ei pessoal, ei moçada, carnaval começa no galo da madrugada..."
" Voltei Recife..."
" Olinda, quero cantar..."
" Nos 4 cantos cheguei e todo mundo chegou..."
Além de Vassourinhas (década de 1950)

Creio que a última canção que estourou foi Bicho maluco Beleza (1991), ou seja há 21 anos!!! 

Percebam que nos trechos acima quem mais os difundiu pelo Brasil foi o homenageado deste ano, o nosso querido Alceu Valença. 

Na boa, passei 8 ANOS sem brincar o carnaval do Recife/Olinda e após esse intervalo fui mais 2 anos seguidos e... Não mudou nada, só eu e as belas canções que envelhecemos.

Existem tradições a serem mantidas, mas há aspectos que devem ser revistos, repertórios, artistas, bandas a serem incentivados e promovidos nas mídias nacional e mundial.

Para o bem do frevo, do maracatu, do coco, do mangue beat e de Pernambuco renovar é preciso ou então é só questão de tempo para decretar o luto de um complexo cultural popular, democrático executado pelo povo nas ruas numa espécie de prévia do Bloco da Saudade.

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