27.12.11

“Me recuso a assinar documento ilegal”, declara a presidente do Conselho de Saúde de Petrolina

A presidente do Conselho Municipal de Saúde de Petrolina (CMS), Luciana Mendes, voltou a denunciar as dificuldades que os profissionais da área vêm enfrentando no município. Um dos pontos críticos, segundo ela, é a imposição do prefeito Júlio Lóssio, que obriga a classe a se especializar, fato que contraria a integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
O prefeito quer impor uma mudança no modelo de assistência da enfermagem, como se isto solucionasse o problema da saúde no município”, desabafou Luciana, durante entrevista ao programa Conexão Verdade (A Voz do São Francisco/Emissora Rural).
O diálogo nem sempre é possível. De acordo com Luciana há três anos o CMS vem tentando um canal com o prefeito Julio Lossio. A última vez que ele esteve no conselho foi em 2009, para informar a devolução do Hospital Dom Malam ao Estado. Com os enfermeiros também não é diferente. Só conseguiram uma reunião há 1 mês depois muita insistência.
Depois que tentei várias vezes uma conversa e não tive êxito, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros veio de Recife, ficou na sala de espera e ainda teve que retornar na semana seguinte”, declara Luciana. Ela ainda acrescenta: “E só conseguimos esta abertura, porque fomos para a inauguração da AME com roupas pretas em forma de protesto”, completa.
Outro ponto crítico foi a solicitação de Lucia Giesta, secretária de Saúde do município, às enfermeiras que trabalham na AME. Segundo Luciana, a secretária pediu que as enfermeiras assinassem todos os relatórios, o que é considerado ilegal. “Uma enfermeira não pode assinar o relatório de produção de outra enfermeira. Me recuso a assinar documento ilegal ou emitir informações falsas ao Ministério da Saúde”, comenta Luciana.
Sobre este assunto,  o prefeito disse que o relatório produzido por um enfermeiro não pode ser assinado por outro. “Ninguém vai assinar documento produzido por outra pessoa, isso é crime”, declarou Lossio.
Cumprindo as funções do órgão que representa, Luciana Mendes enviou um ofício ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, no qual constava uma lista das deliberações do CMS que não foram cumpridas pelo município. A Secretaria de Saúde reagiu, solicitando a demissão de Luciana.
Travamos uma luta diária para dar um tratamento correto, seja clínico ou ético. A prova dessa luta foi a solicitação de minha demissão, pela secretária de saúde, depois que enviei os documentos ao Ministério público e ao Tribunal de Contas do Estado” afirma Luciana.
A gestão de Luciana se encerra em abril de 2012 e, enquanto está no cargo, continuará lutando por melhorias na qualidade da saúde pública. Questionada sobre denúncias feitas ao Blog contra o Hospital de Urgências e Traumas (HUT), ela declarou que uma das bandeiras levantadas pelo CMS é a responsabilidade sanitária dos gestores dos hospitais.
 “Além dos médicos e enfermeiros, os gestores têm que se responsabilizar pela omissão dos profissionais de saúde e pela vida dos pacientes. Eles devem lidar com os números e com a vida das pessoas também. A filha de D. Maristela (líder comunitária), por exemplo, morreu e a responsabilidade é de ninguém. Vamos continuar lutando pela saúde da população”, promete Luciana.
Fonte: Blog de Carlos Britto

Nenhum comentário: