6.11.11

POR UMA POLÍTICA DE MOBILIDADE URBANA EM PETROLINA

Por Bráulio Wanderley

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A cada dia que passa ganha volume na cidade a voz das ruas e do povo pedindo por mudanças estruturais na vida política: Saúde, educação, segurança, cultura, políticas para a juventude, participação popular, combate às drogas, etc.

Dentre as prioridades acima, a mobilidade urbana é um debate que Petrolina precisa levantar, mas que não é puxado pelo poder público.

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Petrolina tem hoje quase 300.000 habitantes, um transporte público terrivelmente mal organizado e hegemonizado por uma empresa, que sob a conivência do governo atual, cobra a maior tarifa de ônibus de Pernambuco sem no entanto dar a contrapartida na qualidade, no conforto e no intervalo aos usuários.

Com esse quadro, trabalhadores, estudantes, idosos e pessoas com deficiência estão a cada dia recorrendo aos mototaxistas, quando não compram seu próprio meio de transporte, fruto da facilidade de crédito em virtude da estruturação econômica dos governos dos presidentes Lula e Dilma.

Destarte os contantes desacatos aos idosos para que não usufruam do direito à gratuidade.

Segundo o Detran, há quase 40.000 motos em Petrolina, muitos dos condutores, contudo, sem habilitação, o que demanda uma média aproximada de 4 óbitos por semana e centenas de acidentes registrados no hospital de traumas. A saturação do transporte de automóveis também aflige a todos, haja vista o enforcamento constante da av. Guararapes, a qualquer hora do dia.

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Ainda sobre o péssimo serviço público (já que é sob regime de concessão), temos os ônibus que vão e voltam (voltam?) à zona rural. O absurdo de sair de manhã e retornar ao final da tarde ou ir à tarde e ser obrigado a pernoitar. As empresas causadoras desse "cárcere forçado" deveriam arcar com o custo de hospedagem, já que em muitos casos não ofertam o regresso.

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Todavia, também temos que refletir sobre a campanha contra o consumo de álcool-direção, a qual como muitos brasileiros sou a favor e aproveito o ensejo para aplaudir a resolução do STF que criminaliza a embriaguês no volante, mesmo sem a provocação de acidente, talvez assim alguns senadores tucanos de Minas Gerais façam o teste do bafômetro.

Para que tal campanha obtenha o êxito esperado é preciso que a demanda de táxis/ônibus seja ampliada. Não vemos os mesmos rodando em Petrolina a partir das 23hs. No máximo, vemos táxis no bodódromo, no aeroporto e na rodoviária. Somos obrigados a termos o telefone de algum companheiro para podermos nos deslocar para casa. Noves fora o táxi, como toda sociedade de classes, pois nem todos podem usufruir economicamente desse serviço, restam duas opções a essas pessoas:

1. Sair pra se divertir e voltar andando pelas ruas desertas, perigosas e escuras.
2. Ficar em casa.

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Como podemos observar, a reflexão se pauta no direito inalienável de ir e vir que não é condicionado ao cidadão que paga elevados tributos, a mais alta tarifa de ônibus do estado e o mais caro combustível (tabelado por um cartel que as autoridades fingem não enxergar) de Pernambuco e um dos mais altos do Brasil.

Tudo isso sem a menor satisfação do poder público, sem o menor interesse e sem nenhuma ação.

Temos que pensar na estruturação de um novo modelo de mobilidade em Petrolina. Construir uma cidade para a outra metade do século XXI que cresce sob o trabalho de todos, que atrai milhares de pessoas de todos os locais do mundo, que com o suor de seu povo possui uma das melhores qualidades de vida das cidades de porte médio do Brasil.

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Um modelo que vá além do educado trânsito que respeita o pedestre na faixa e mal usa a buzina no cotidiano, mas que assiste a ruas/avenidas estreitas sem placas com os respectivos nomes, lombadas sem sinalizações, depressões dolosas nas vias locais ocasionando prejuízos e acidentes aos veículos, seus condutores e passageiros, calçadas mal feitas ou inexistentes obrigando pedestres e ciclistas a se locomoverem perigosamente paralelos aos carros.

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A Cidade tem que agir em torno da acessibilidade, lembrando que os deficientes físicos e visuais moram nos bairros e nos distritos. Suas existências não se limitam às (poucas) rampas do centro.

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Eis a omissão da prefeitura atual e o caos em andamento, com sinal verde e sem lombada eletrônica.

2 comentários:

Paulo Maia disse...

Eu convivo diariamente com a realidade dessa falta de um transporte coletivo digno a qualquer um, mas isso não é culpa apenas da atual gestão municipal e sim de todas as outras anteriores que foram deixando essa bola de neve crescer cada vez mais. Não se faz nada a respeito porque quem sofre não é o rico e sim alguns da classe média e a população mais pobre. Outro coisa que eu acho terrível é a falta de acessibilidade em toda a cidade, tanto nos ônibus quanto naquelas rampas de acesso que foram colocadas apenas nas principais avenidas do centro são apenas uns remendos. Eu não entendo porque se fala tanto em educação, segurança, saúde e etc, mas se esquece que a acessibilidade está comum a qualquer política que seja e que os deficientes físicos merecem ser respeitados mais que os outros, pois se forem respeitados como qualquer um a falta de respeito é tão grande que é capaz até de sucatearem as clinicas de reabilitação( que parecem de modo geral serem os hospitais mais bem conservados pelo poder público ) assim como fazem com outros hospitais públicos.

Jânio disse...

Quando cheguei em Petrolina, no ano de 1996, fiquei feliz em ver o transporte da cidade. Havia ônibus para quase todos as partes da cidade, e com qualidade, pois eram coletivos novos e alguns até com Ar Condicionado. Com tempo, vi o sucateamento da frota e proliferação de transportes alternativos(mototáxis e vans, com a conivência da EPTTC. Se engana quem pensa que a solução está no transporte particular.Vejo o abarrotamento das ruas de carros e motos particulares. Em qualquer metrópole do mundo os coletivos, bicicletas e o acesso aos pedestres são o foco do poder público. O caos da mobilidade já está se instalando, e Petrolina deve encontrar soluções eficazes de longo prazo, ou a cidade vai parar. A solução está no transporte coletivo de qualidade, incentivo ao uso de bicicletas, e acessibilidade aos pedestres. Faltam coletivos, faltam ciclofaixas, faltam passarelas, faltam árvores com sobra nas calçadas, e muito mais. Ainda pode dar tempo, ou a cidade para.