19.11.11

MÍDIA DISTORCE POSIÇÃO DE JOSÉ DIRCEU SOBRE AS MARCHAS CONTRA A CORRUPÇÃO

 
Por José Dirceu de Oliveira e Silva
Um dos editoriais de hoje e várias reportagens recentes do... Um dos editoriais de hoje e várias reportagens recentes do jornal O Estado de São Paulo escondem ou deturpam o que eu digo.
 
Minhas críticas não são às manifestações contra a corrupção, mas ao fato de o Estadão e a mídia em geral as estimularem e as apresentarem como campanhas contra o governo.  Isso já foi feito no passado quando apoiaram a UDN e o janismo – a eleição do ex-presidente Janio Quadros - o golpe de 1964 e a eleição de Fernando Collor de Mello, apresentado pela mídia como "Caçador de Marajás". Tudo sob o pretexto de combater a imoralidade pública.

O editorial do Estadão nem faz referência ao que outro jornal registra hoje. Nas páginas do Valor Econômico, em reportagem a meu respeito, está claro o que procuro frisar sobre as marchas e que reafirmei ainda ontem à noite em São Bernardo do Campo.
 
O que tenho colocado é que as bandeiras do movimento anti-corrupção são as que o PT sempre defendeu e que conseguiu transformar em projetos aprovados no Congresso Nacional. Tais como o controle externo do Judiciário, via Conselho Nacional de Justiça, e a Lei da Ficha Limpa. O controle externo do Judiciário, aliás, o PT defende desde a Constituinte de 1988, praticamente solitário; a Lei da Ficha Limpa teve como relator o atual ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, então deputado pelo PT-SP.

A esse propósito, o que eu disse em São Bernardo do Campo, e que está gravado em fita, comprova que as interpretações do meu discurso pelo Estadão primam pela fantasia. Mas vou reafirmá-lo aqui para não deixar dúvidas: considero a Reforma Política um dos instrumentos mais eficazes na luta contra a corrupção.
 
Minhas observações sobre as manifestações, encampadas pela grande mídia e que mínguam dia a dia, são no sentido de que esses movimentos passam ao largo desta questão, que é central. Sem a Reforma Política não haverá fim da corrupção, pelas razões óbvias que o jornal conhece. Ou seja, o sistema eleitoral e o financiamento das campanhas estão viciados e continuarão a viciar os seus resultados.

Exercício do direito constitucional

O financiamento público tem o objetivo de reduzir o custo das campanhas. Ele permitirá a um candidato sem grandes financiadores disputar em pé de igualdade com milionários. Aliás, esse modelo mostrou-se eficaz em pelo menos 65 países ao redor do mundo. Não se trata de uma invenção brasileira casuística.

As marchas contra a corrupção, em si, nada têm de condenáveis. Defendo que são um exercício do legítimo direito constitucional e democrático de livre manifestação pública. O problema é que os noticiários as alardeiam como se fossem manifestações contra o governo. Na verdade, o que elas têm é uma pauta específica de protestos e reivindicações.

Repito que estamos diante da promoção pela mídia de uma campanha moralista, como muitas outras já vistas na história deste país. Nas suas acusações de corrupção o movimento mira o PT e/ou a gestão Dilma. Sem reconhecer a luta histórica dos governos Lula e Dilma Rousseff contra a corrupção.

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