3.10.11

CARTA ABERTA DOS ESTUDANTES À CÂMARA DE VEREADORES DE FLORESTA-PE


Neste 29 de Setembro de 2011, os estudantes de Floresta experimentaram sentimentos variados em relação à sua condição de cidadãos, pois ao mesmo tempo que acreditavam observar o fenômeno democrático da efetivação do direito político de organização social, de movimento de estudantes, movimento este legitimado pela  legislação brasileira, contraditoriamente estes mesmos estudantes – jovens mulheres em sua maioria – amargaram a decepção e a frustração de assistirem à uma cena típica dos porões das épocas mais retrógradas e mais obscuras da história deste país. 

Ainda estamos atônitos e perplexos diante da amplitude da estupidez com a qual estudantes de diversas escolas foram tratados nas dependências da Escola Estadual Deputado Afonso Ferraz, num gesto de nitidez marcadamente conservadora,  arbitrária  e violenta contra a livre  organização estudantil que havia programado e comunicado à referida escola sobre o evento de posse ao Grêmio Estudantil recém eleito e empossado pelos estudantes da Escola Afonso Ferraz. 

A solenidade de posse dada ao grupo de estudantes ocorreu de forma harmoniosa e democrática. Após esta cerimônia, todos foram convidados a assistir à apresentação  cultural  em  um  dos  pátios  da  escola.  Ao instalar os equipamentos para iniciar  a apresentação musical, os músicos foram surpreendidos pelagestora da escola que, subitamente,  surgiu  ao  centro  do pátio  e,  enfurecidamente, decidiu expulsar a todos os  presentes, sendo estudantes, artistas e funcionários públicos enxotados do espaço acadêmico e, publicamente,  humilhados  perante  outros  funcionários,  professores  e demais alunos da referida escola pública. 

Nestes tempos de “aparente saudosismo dos regimes de exceção”, os estudantes de Floresta afirmam sua postura militante contra as práticas conservadoras e violentas das velhas elites locais que agonizando do fundo de seus sórdidos porões, ainda insistem em violar os direitos dos estudantes e dos jovens trabalhadores que são excluídos e silenciados há décadas nesta cidade. 

Nestes  tempos  de  “Casas-Grandes  e  Senzalas”,  os  estudantes  recusam  essa prática  de  opressão  e  levantam  suas  bandeiras  libertárias  da  democracia, afirmando que o grêmio da Escola Afonso Ferraz é apenas o primeiro de muitos outros  que  estão  sendo  edificados  e  que  oligarquia  nenhuma  será  capaz  de cessá-los. 

UNIÃO DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS DE FLORESTA - UESF 

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