6.7.11

JOÃO SALDANHA: TÉCNICO E REVOLUCIONÁRIO

Por Bráulio Wanderley

Nos idos dos "anos de chumbo" da ditadura militar fascista, João Saldanha, então técnico da seleção brasileira de futebol, nos deu uma aula de liberdade.

Questionado se iria convocar o centroavante Dario Pereira, o Dadá Maravilha (sob pressão do general-ditador Médici), Saldanha foi com essa pérola: "O presidente escolhe seus ministros e eu escalo minha seleção".

Após gloriosa e invicta campanha nas eliminatórias, com 100% de aproveitamento e com a base nos times do Santos, Botafogo e Cruzeiro, "as feras do Saldanha" como era conhecida a seleção canarinho, tinha uma escalação revolucionária pra época, um 4-2-4, com os "monstros": Cláudio; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel e Rildo; Gérson e Piazza; Tostão, Pelé, Jairzinho e Edu.

Saldanha foi demitido do cargo por João Havelange, presidente da CBD - antecesora da CBF - e em seu lugar assumiu Mário Jorge Lobo Zagalo. O novo técnico convocou Dadá, muito embora tenha ficado no banco de reservas. Sinistro, mas naquela ocasião quem engoliu quem?

O Brasil foi tri após o fiasco de 1966 e só iria conquistar outro caneco em 1994 numa final sem gols e disputada nos penaltis.

Saldanha, gaúcho e membro histórico do Partidão (PCB) morreu na Copa do Mundo da Itália em 1990, aos 73 anos, quando era comentarista da antiga tv manchete. Ao menos não viu o Brasil ser desclassificado ainda nas oitavas de finais.

Um comentário:

Anônimo disse...

É verdade, que o Joao Saldanha , foi apeado do comando da seleção, quando estava no aviao, ja a caminho do Mexico, na Colombia?