17.7.11

BRASIL: UMA DECÊNCIA A SER CRIADA

Por Bráulio Wanderley

Antes Dilma era fantoche, depois passou a ser forte, depois fraca, agora a culpa dos escândalos é dos escolhidos de Lula...

Sinceramente, um governo sem viés ideológico e atrelado a interesses de aliados de aluguel só poderia estar nessa condição ridícula. O Brasil avançou economicamente nos últimos anos, mas carece de um choque de civilização no sentido amplo das nossas necessidades.

São 6 meses de um governo ainda sem cara definida, com quase 40 ministérios, cerca de 25.000 cargos de comissão, 3 alterações ministeriais, sendo 2 por denúncias (Antônio Palocci e Alfredo Nascimento) e outra por incompatibilidade ao cargo (Luiz Sérgio que foi removido para a Pesca).

Mas vamos à questão macro: O que faz do Brasil um país irreal?

1. Um povo cuja educação é pautada por professor em sala, aluno presente x escola/planejamento/política salarial/currículo/Estado/sociedade/família inexistentes.

2. Um povo de cultura fraca, que lê pouco ou quase nada. Há 2 motivos para isso: a falta de incentivos e os preços absurdos dos livros.

3. A covardia da classe média que terceiriza seus direitos ao invés de exigi-los: paga por tudo privado por denotação de comodismo e status.

4. Não exerce cidadania, pois, despolitizado que é, nosso povo não exige seus direitos, não luta para ampliar os que já existem, confunde política com corrupção de político que ele mesmo elegeu/reelegeu.

5. A consciência do "é assim mesmo", como sinônimo de passividade. Afinal, brasileiro não gosta de filas, mas nunca evita em frequentá-las, seja em bancos, hospitais, etc.

Algumas reflexões:

1. Um país cujo povo joga papel no chão tendo um lixo ao lado; vende voto e reclama de corrupção;

2. Um povo que afirma de peito estufado que se exercesse mandato também roubaria;

3. Um povo que se orgulha quanto à copa do mundo '14, Copa América '15 e olimpíadas '16 ao invés de cobrar mais investimentos pelo saneamento e iluminação da sua rua, da falta de água do seu bairro, do esgoto a céu aberto na frente de sua casa;

4.Não exige sobre a sua rua infinitamente asfaltada apenas no mapa da prefeitura; educação de qualidade questionável com professores, alunos, gestores, comunidade atendidos de modo pouco decente, assim como médicos, policiais, bombeiros e trabalhadores desconhecidos pelo seu trabalho e pessimamente remunerados.

5. Uma sociedade que paga 5 meses, referentes a sua renda anual, em tributos que não tem devido retorno.

6. Que orgulho infame é este em sediar eventos internacionais superfaturados quando nosso top invertido na educação nos põe abaixo de Serra Leoa?

CONCLUSÃO:

O Brasil é o país que ama o pão e circo da Roma Antiga por meio de cerveja e futebol. O império romano desapareceu. O Brasil que precisamos ainda há de ser construído.

6 comentários:

Dora disse...

Acompanho seu blog a pouco menos de um mês, mas fiquei impressionada com a clareza que você expõe os fatos. Fatos esses que todos os brasileiros sabem e fingem não saber por ser "mais cômodo".

Parabéns!! excelente texto!

BRAULIO WANDERLEY disse...

Obrigado Dora! Espero continuar nossa luta com mais participação popular e transformação social.

Um forte abraço.
Bráulio B. Wanderley.

Victor Cavalcanti disse...

Grande Bráulio! ótimo texto, e vale ressaltar que, a reforma educacional no Brasil não se materializa, porque seria um suicídio para os muitos políticos corruptos do nosso país! Não há nada mais cômodo para eles do que um povo omisso e alienado, que não impõe mudanças nesse fracassado sistema! forte abraço, de seu ex-aluno, Victor.

BRAULIO WANDERLEY disse...

Grande Victor! Sempre presente.

Obrigado pela sua pertinente obervação quanto à educação. Continue acompanhando nossos posts e sempre que quiser contribua também.

Um forte abraço de seu sempre professor.

Regiani Moraes disse...

Gostei do texto e tenho uma pergunta.
Na sua opinião porque a classe média é tão despolitizada, já que ela, diferentemente da classe mais pobre, tem tem acesso à informação?

BRAULIO WANDERLEY disse...

Regiani,

Justamente pelo maior acesso à informação que a classe média deveria protagonizar um amplo movimento exigindo o retorno da elevada carga tributária que a onera em 40% de sua renda.

O problema vem da reprodução midiática e não da formação de opinião crítica, como muitos propalam.

Eis que a mesma se acomoda em terceirizar serviços e abdicar da cobrança legítima sobre seus direitos.

Acima, apenas uma parte do problema.

Um grande abraço,
Bráulio.