15.5.11

O BAR É O LAR DOS BOÊMIOS

Por Bráulio Wanderley

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O bar é um ambiente radicalmente democrático. Nele frequentam ricos, pobres, homens, mulheres. A diversidade existe em todas as formas de orientação: religiosa, política, de gênero, raça/cor. Não importa, a finalidade é a extroversão.

Mas esse perfil de consumo etílico só é coadunado quando se localiza numa praça (ao estilo da 21 em Petrolina), ou num bairro periférico no Recife.

A criatividade faz parte do cenário. As calçadas mal niveladas abrem utilidade pra tampinha de cerveja ser um alicerce complementar da mesa, a fim de que esta não fique balançando e acabe, caindo ou derrubando 'o ouro líquido' após umas '3 ou 9' ingeridas. Afinal, sempre temos um Magaiver (é novo!) na mesa.

A culpa nunca é da bicada, a culpa é da mesa e sempre vem a velha frase: "tá bêbo, tá bêbo", mesmo que você só tenha tomado um chopinho.

Quando a cerveja vem ao estilo 'cu de foca' o risco de 'pedrar' é enorme, eis que a física entra em ação. Uma alisadinha no fundo da garrafa impede tal estrago e garante o consumo de modo agradável. Sem falar num amigo nosso que, apressado ou vitimado pelo lerdo atendimento do garçon, depois de 'umas' inventa de abrir a cerveja com a beirinha do dente. Um dia ele se lasca, mas aí é outra conversa.

Façamos uma comparação entre o boêmio e o depressivo habitual:

Chopp (ou qualquer coisa) x rivotril/capotem;
Papo com os amigos x consulta psicológica (em geral você sai pior do que entrou);
Amigos x médico;
Conselho x sermão;
Couvert artístico x plano de saúde/consulta particular.

Não estamos falando de alcoólatras, este é um texto de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade de alguns leitores não será mera coincidência.

Uma grande figura amiga minha, ama uma caipirosca de kiwi, perceba que cada um de nós tem um código quando ficamos 'altos' e uma desculpa pra ressaca no outro dia. A dela na primeira situação é: "acho que tô ficando bêba", quando na verdade já está há tempos. A ressaca sempre tem o kiwi sentenciado como vilão, nunca a vodca, nem a velha lavadinha com cerveja e muito menos a desidratação.

Outra amiga nossa, numa noitada que raiou o dia, confundiu o sol com um poste! Digaí!

Não esqueçamos do fundo musical. Este é imprescindível e é um definidor do seu perfil naquela noite: nostálgico, alegre, festivo, cantor, piadista, dançarino, triste, fossa, dor de corno, etc.

O importante é perceber que no final sempre róla um breguinha e a maioria interage, sem esquecer que os mais ousados acabam puxando o som, fazem uma batucada, pedem música ao cantor (afinal, alguém tem que fazer valer o couvert), sem falar no velho "mais um", quando o cantor já está desligando o som.

E na hora de pagar a 'dolorosa'? Aí às vezes é novela. Bêbo que se preze fica rico e quer pagar pra todo mundo. Conheço um amigo que chegou num bar liso, mandou servir uma lapada de cana pra todo mundo e quem pagou foi o amigo dele. #Tenso. Cara de pau né não!

Já outras ocasiões levam ao velho 'rá-rá'. Sempre tem alguém que se pronuncia na chegada: "tô quebrado", outros mais cínicos não dizem nada e lascam a galera que foi com o dinheiro contado. #Podre!

Faz parte da vida da noite. Coisas engraçadas que servem como relatos cotidianos. No fundo barzinho é assim mesmo: papo-cabeça, amenidades, dia a dia, desabafo ou tudo isso. Mas que é bom é.

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