26.2.11

A QUEM INTERESSA A LIBERDADE DO POVO MÉDIO ORIENTAL?

Por Bráulio Wanderley

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As recentes manifestações de lutas democráticas e libertárias no Egito, na Líbia, na Jordânia e no Iêmen nos levam a uma reflexão importante:

A junção do Estado e da Religião sempre denotou não ser uma medida salutar. A Europa Ocidental viveu isso durante o feudalismo, o clima de alienação, corrupção, imposição cultural, psicológica e socioeconômica passava os limites do ridículo que a humanidade era sujeita.

Na América Latina, durante as invasões ibéricas, as colônias eram submetidas ao monopólio católico, que "julgava" inquisitoriamente os conceitos de certo e errado, homologando, em sua maioria, o genocídio dos povos nativos e a escravidão africana ('povos sem alma, segundo a santa sé), pelo imperialismo europeu em nome da conversão dos pagãos ao catolicismo.

Esta fase só fora superada com as sucessivas guerras de independências, quase que simultâneas aqui no Continente, transformando as ex-colônias em Estados laicos e alforriados. Democracia foi uma conquista que viria apenas no final do século XX, e claro, duas décadas e meia depois, ainda estamos em processo de consolidação, seja política, seja no avanço dos direitos humanos.

Muitos falam na derrubada dos regimes autoritários do Oriente Médio, este não é o cerne da questão. Como podemos falar em democracia numa região em que se desconhece a organização das camadas populares em partidos políticos, sindicatos, associações, etc?

Como falar em democracia em países que legitimam o sexismo, a violência à mulher, a homofobia, o desacato à liberdade religiosa, além de outros atentados aos direitos humanos? Países que armam sua juventude em nome de Alá, ou seja lá quem for a divindade em torno de inescrupulosos intuitos terrenos.

Democracia é um processo em estágio contínuo e ininterrupto. Destarte que o mundo celebre os atos recentes, excetuando os cadáveres que com certeza virarão mártires da luta libertária. O que se pugna agora é a derrubada dos ditadores, que o mesmo 'mundo civilizado' conhece há décadas, negocia bilhões aos custo dos petrodólares e cujas classes dirigentes nunca se manifestaram contrárias aos arbítrios tão famosos pela mesma mídia que agora celebra de modo aberto a sua indignação.

A censura sobre a informação não conseguiu suportar a internet, este é um fato a se destacar.

O interesse de muitos chefes de Estado e de governo acarreta no receio de outros. Há de se perceber o silêncio estadunidense e europeu. Ninguém fala nada! Em caso de vitória popular, aliança com o novo governo é coisa certa. Em caso de manutenção do estabilishment um forte abraço no ditador (ops, governante) e os negócios continuam, aliados a um reforço $$$$ no que o conselho permanente de segurança da ONU, composto por EEUU, Reino Unido, França, Rússia e China, é especialista em fazer: vender armas.

A quem interessa a liberdade do Oriente Médio? A nós internacionalistas e defensores da autodeterminação dos povos, aos que lutam pela liberdade como bem maior e inalienável, aos que se dedicam contrários a toda forma de ditaduras sanguinárias, aos que combatem a censura, aos que não são anuentes com a corrupção.

Nós, brasileiros, sabemos o preço que nosso país paga pelos anos de atraso, corrupção e militarismo rotativo a qual foi submetido por 21 anos. Uma coisa é certa, essa onda democratizadora está apenas embrionária, ainda chegará o dia que veremos a revolução das burcas e as mulheres sairão às ruas por seus direitos e isto não é profecia.

A conferir.

2 comentários:

Marcos disse...

POxa, perfeito esse texto, muito bom mesmo! e mais perfeito é o Blog, parabens Braulio, é raro ver alguem q escreve tão bem sobre o ideal de Justiça.

Em nome da UJS Juazeiro: Parabens!
Forte abraço.

BRAULIO WANDERLEY disse...

Grande Marco, muito obrigado pelo acompanhamento do blog e pelo elogio bondoso da sua parte.

Saudações Socialistas e um forte abraço a você e à UJS de Juazeiro.