14.2.11

OS MESSIAS E OS ANÔNIMOS DA HISTÓRIA

Por Bráulio Wanderley

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Sempre me preocupei com o messianismo, câncer da história brasileira e razão de vários de nossos males.

A história é escrita pelas mãos dos anônimos, mas tem sua versão declarada como fato pelos vencedores, membros das classes dominantes.

Muitas vezes, quando não se pode desprezar a luta do povo, mesmo que derrotada, ela é contada como um romance, algo lindo, ocultando o trágico desfecho, violento e genocida.

Foi assim com Palmares, Canudos e tantas outras lutas do povo.

Lembremos que os anônimos foram marcados nesses eventos por Zumbi e Conselheiro.

Contudo, parece que a história não teve sequência, ela se interrompeu com o jazigo de suas lideranças.

Posto foi o mal acima.

A luta popular é ininterrupta e se torna vitoriosa quando a consciência do povo desperta à sua realidade.

Organização requer disciplina, consciência revolucionária, coletividade, formação de quadros e propaganda de massas.

Nos últimos anos, muitos quiseram reinventar a história do Brasil. Antes e depois do presidente Lula, por melhor que ele tenha sido, sempre me preocupei com o ufanismo de alguns que achavam que descobriram a pólvora.

Do mesmo modo, nas reuniões do Partido dos Trabalhadores, sempre levantei uma reflexão aos Camaradas: E depois?

Enquanto Partido Socialista, onde estão nossas tarefas básicas, como: organização, disciplina e consciência revolucionária?

Quadros partidários e de massas nem pensar. O PT se fechou na sua nomenklatura ao adestramento de assessores e papagaios de piratas na institucionalidade burguesa, omitindo-se da luta social.

A propaganda de massas ficou a critério de uma confusão entre Partido, Estado e governo, donde se massacrou o Partido as custas de um líder ou outro. A militância (anônima) foi às ruas e aos blogs, reagiu a uma campanha sórdida de impeachment e tudo ficou por ali mesmo.

Restituída a normalidade institucional, os anônimos foram persuadidos por uma máquina poderosa de comunicação, capacidade de interação e identificação com as massas e oratória que alegrava à elite intelectual progressista e ao povo.

O povo via no presidente Lula a sua imagem e semelhança, aparentava o velho panfleto da esquerda: "o povo no poder", éramos governo e ainda somos, entretanto, observo que não ousamos na consciência coletiva para transformar a sociedade pela raiz.

Mera ilusão, o povo nunca teve o poder de fato.

Está na hora do PT se readequar ao seu tempo, não há lugar para todos neste espaço onde sociais democratas, sociais liberais, socialistas de várias doutrinas (leninistas e trotskystas) possam dividir a esfera partidária como um eterno saudosismo partidário, para uns, e apego às vaidades que o aparelho estatal oferta na condição de cargos e estratos privilegiados, para outros.

Quem tem coragem de puxar esse debate?

Eis aqui um anônimo falando.

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