21.10.10

DILMA ROUSSEFF: A AFIRMAÇÃO DA CANDIDATA

Por Bráulio Wanderley

É impossível ser feliz sozinho...

O segundo turno acabou sendo fundamental para os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), mas sobretudo para o eleitor. As pessoas careciam de melhores e detalhadas informações sobre quem era "a candidata de Lula". Continuidade, aprimoramento, permanência de programas sociais, ampliação dos mesmos, etc. Era apenas isso que o eleitor sabia de Dilma.

Serra saiu na frente

Serra era um velho conhecido, ao menos no "ouvir falar" para os mais desinformados, passo que após a derrota presidencial em 2002, foi eleito prefeito e governador em São Paulo. O tucano, que não concluiu nenhum dos seus últimos mandatos executivos, seguindo o mal exemplo de FHC mandando esquecer o que assinou, tinha projeção na mídia pelo fato de ter gerido dois dos maiores orçamentos do país.

A "candidata de Lula"

Mas afinal, quem era a "mulher de Lula" como dizia o povo nas ruas? Por mais que o PT, resumido pelo marketing da campanha ao pingo do I no nome da candidata, falasse sobre sua biografia e experiências em cargos executivos, soava estranho ao eleitor comum nunca ter ouvido falar, com destaque e abrangência, o nome da ex-ministra.

O susto

O fato é que por menos de 4% o segundo turno foi provocado por elementos já conhecidos de todos: escândalo na Casa Civil/Erenice Guerra, ambiguidade aborto/união homossexual, dispersão de votos para Marina, terrorismo midiático (mistura de fé x política). A desmotivação do palanque governista foi notória.

Voto "cismado"

Ao eleitor histórico do Partido dos Trabalhadores havia o interesse em conhecer melhor a futura presidente antes de passar-lhe um cheque no primeiro turno, daí uma parte da boa votação de Marina Silva. Havia a necessidade de saber mais sobre o que Dilma pensava, a partir dela própria, e não apenas sobre quem o presidente Lula apresentava como sua continuidade.

Dilma Rousseff tem nome próprio

Pois bem, Dilma mudou e pra melhor. Sem muitas amarras do já propalado marketing equivocado, partiu pra cima do terrorismo midiático, respondeu as questões sobre o aborto/união homossexual, as denúncias da Casa Civil/Erenice, abordou em suas falas menos números e mais projetos/propostas, de modo mais didático ao eleitor comum, conseguindo atingir relevantes setores da histórica classe média eleitora do PT.

O fato é que a mobilização da militância encheu as redes sociais, retomou os debates acadêmicos e nas ruas só se fala na eleição. Dilma conduz a pauta no segundo turno, deixou de lado os credos e voltou-se aos projetos políticos: o desenvolvimentismo com inclusão social x o neoliberalismo privatista e excludente.

Essa postura foi constatada nos dois primeiros debates promovidos pela Band e Rede TV!, respectivamente. Serra, atordoado, não soube e ainda não sabe como reagir. Isolado, recorreu aos aliados, escanteados no 1º turno, haja vista a conhecida postura centralizadora do presidenciável tucano.

Até o PSOL!

O debate ficou mais politizado pelos projetos antagônicos a ponto (pasme) do PSOL declarar voto contrário ao PSDB, nulo ou crítico para Dilma, seguindo esta linha os deputados Ivan Valente-SP, Luciana Genro-RS e Chico Alencar-RJ, além dos eleitos: deputado federal Jean Willis-RJ, senador Randolfe Rodrigues-AP e os deputados estaduais Edmilson Rodrigues-PA e Marcelo Fleixo-RJ.

A alegria tucana durou pouco.

O PSDB e seus aliados se empolgaram com a ida ao 2º turno. Organizaram suas bases, arrecadaram mais fundos e eis o cerne da questão: Paulo Vieira ou Paulo Preto sumiu com mais de R$ 4 mi da campanha, supostamente em caixa 2 já que não foram contabilizados e não se sabe se o dinheiro é público ou proveniente de doações privadas. A incógnita de Dilma sobre o aborto no primeiro turno virou a de Serra no segundo: primeiro não conhecia Paulo Preto, depois anunciou que é um engenheiro competente... Agora, é Ele quem tem que se explicar.

As pesquisas que foram tão divulgadas pelos tucanos quando sugeriam um empate técnico entre Serra e Dilma, agora são defenestradas com o crescimento da petista, se distanciando cada vez mais do adversário, em vários institutos.

PV "neutro"

Já era esperada a neutralidade oportunista do Partido Verde, na covardia de se posicionar e prestar contas ao seu eleitor de que rumos acredita ser melhor para o país, a fim de evitar um racha interno. Neste sentido, Gilberto Gil (multi-artista e ex-ministro da Cultura), Juca Ferreira (ministro da Cultura), José Machado (sec executivo do Ministério do Meio Ambiente), Edson Duarte (dep. fed.-BA), Beth Wagner (ex-sec meio ambiente-BA), Pedro Ivo (ex-coordenador geral da campanha de Marina), Ângela Mendes (filha de Chico), Gildevan Fernandes (dep estadual-ES) e 20 diretórios estaduais do PV declararam apoio a Dilma enquanto o já esperado Fernando Gabeira (que escondeu Marina no início de sua campanha derrotada ao governo do Rio para divulgar Serra), caiu de vez no colo de José Serra.

A volta dos artistas e dos intelectuais

Na terça-feira (18), a campanha de Dilma lembrou um pouco o Lula-lá de 89 ao reunir no teatro Casa Grande figuras que no primeiro turno estavam apáticas ou desinteressadas em se envolver com mais afinco. Lotaram o teatro artistas, escritores, intelectuais e militantes como o nosso Chico Buarque, Leonardo Boff, Frei Betto (estes longe do PT desde o primeiro mandato de Lula), Oscar Niemeyer, Marilena Chauí, Márcio Thomaz Bastos, Dalmo de Abreu Dallari, José Celso Martinez, Luiz Carlos Barreto, Paulo Betti, José de Abreu, Alcione, Beth Carvalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Chico César, Lecy Brandão, Otto, entre outras personalidades que denotam parte considerável da opinião pública brasileira.

O voo da águia

De certo mesmo, a arrancada da petista descolada do presidente Lula foi positiva. Mostrou que além do apoio presidencial, Ela tem vida própria, não é uma marionete como os adversários se referiam no primeiro turno e agora tem os últimos 10 dias para encerrar o escrutínio de modo vitorioso e afirmando que perfil de presidente o Brasil está elegendo.

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