21.6.10

PARA TUDO! É COPA DO MUNDO

Por Bráulio Wanderley

Não é o forte desse blog fomentar debates a respeito do futebol, mas em tempos de "pátria de chuteiras" como poder-se-ia evitá-los?

Dia de jogo do Brasil é interessante. Para tudo! O som rouco das ruas reproduz a voz do locutor. Pessoas se reunem em rodas de amigos e famílias, em casas, apartamentos, condomínios ou bares. Nada funciona com tanta perfeição quanto o rádio de ouvido e a tv, antros de celebração da maior deusa do povo naquele instante: a bola.

Cidades ficam desertas. Onde fica aquela gente toda? Nada de carros, ônibus, bicicletas, motos. Nada de acidentes, buzinas, engarrafamentos. Escolas suspendem aulas e provas. Médicos adiam suas consultas, pessoas adiam até as doenças pra depois do jogo.

Em época de copa vale tudo, até ver a seleção que não era a sua , sem Ganso, e nem o técnico que nunca foi o seu preferido: Dunga... Vale olhar o verde-amarelo estampado como maior símbolo de união nacional. A galera pode estar na maior água (cerveja estupidamente gelada), mas se levanta pra cantar o hino nacional que nem nas escolas se celebra mais.

Nenhum feriado pátrio reúne tanta gente quanto copa do mundo. Em feriados as pessoas se programam pra viajar, ir à praia, acampar. Durante a copa as pessoas adiam tudo isso, ou vão antes ou vai depois. Homens e mulheres se juntam pra acompanhar o pão e circo contemporâneo independente do entendimento sobre futebol, impedimento, escalação, etc.

Vale o despertar da brasilidade, da união nacional. Esqueça cotas, política, eleição, até mesmo Lula. Eis que o caminho pro hexa vai prender a atenção de milhões de pessoas por noventa minutos, como se estivessem hipnotizadas por aquela tela retangular que nos transmite em alta definição diretamente do país de Mandela.

Hoje, por sinal, faz 40 anos que o Brasil em plena ditadura de Médici et caterva ganhou o tricampeonato mundial no México, vencendo a Itália por 4x1. Anos depois a taça Jules Rimet foi roubada e supostamente derretida. Isso é Brasil!

Após 11 de julho o Brasil volta ao normal, com ou sem o hexa, na esperança que o povo dê, progressivamente, a mesma audiência às suas vidas cotidianas quanto à copa do mundo.

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