5.6.10

ÁFRICA DO SUL: COLONIZAÇÃO, APARTHEID E MADIBA

Por Bráulio Wanderley, com informações do historianet

A África do Sul foi uma região dominada por colonizadores de origem inglesa e holandesa que, após a Guerra dos Boeres (1902) passaram a definir a política de segregação racial como uma das fórmulas para manterem o domínio sobre a população nativa. Esse regime de segregação racial - conhecido como apartheid - começou a ficar definido com a decretação do Ato de Terras Nativas e as Leis do Passe.

"O Ato de Terras Nativas" forçou o negro a viver em reservas especiais, criando uma gritante desigualdade na divisão de terras do país, já que esse grupo formado por 23 milhões de pessoas ocuparia 13% do território, enquanto os outros 87% das terras seriam ocupados pelos 4,5 milhões de brancos. A lei proibia que negros comprassem terras fora da área delimitada, impossibilitando-a de ascender economicamente ao mesmo tempo que garantia mão de obra barata para os latifundiários brancos.

Nas cidades eram permitidos negros que executassem trabalhos essenciais, mas que viviam em áreas isoladas (guetos). As "Leis do Passe" obrigava os negros a apresentarem o passaporte para poderem se locomover dentro do território, para obter emprego.

A partir de 1948, quando os Afrikaaners (brancos de origem holandesa) através do Partido Nacional assumiram o controle hegemônico da política do país, a segregação consolidou-se com a catalogação racial de toda criança recém nascida, com a Lei de Repressão ao Comunismo e com a formação dos Bantustões em 1951, que eram uma forma de dividir os negros em comunidades independentes, ao mesmo tempo em que estimulava-se a divisão tribal, enfraquecia-se a possibilidade de guerras contra o domínio da elite branca.

Mesmo assim a organização de mobilizações das populações negras tendeu a crescer:

em 1960 cerca de 10.000 negros queimaram seus passaportes no gueto de Sharpeville e foram violentamente reprimidos.

- greves e manifestações eclodiram em todo o país, combatidas pela com o exército nas ruas.

- ruptura com a Comunidade Britânica (1961)

- fundada a Lança da Nação, braço armado do CNA

- em 1963 Mandela foi preso e condenado a prisão perpétua
- Sowetto, um dos maiores focos de resistência do CNA em Joannesburgo, é massacrado pelo regime.
Durante a década de 70 a radicalização aumentou, tanto com os atos de sabotagem por parte da guerrilha, como por parte de governo, utilizando-se de intensa repressão. Na década de 80 o apoio interno e externo à luta contra o Apartheid se intensificaram, destacndo-se a figura de Winnie Mandela e do bispo Desmond Tutu.

A ONU, apesar de condenar o regime sul-africano, não interveio de forma efetiva, nesse sentido o boicote realizado por grandes empresas deveu-se à propaganda contrária que o comércio com a Africa do Sul representava. A partir de 1989, após a ascensão de Frederick de Klerk ao poder, a elite branca e desgastada começa as negociações que determinariam a legalização do CNA e de todos os grupos contrários ao apartheid e a libertação de Mandela.

Madiba, como Nelson Mandela é chamado, foi eleito presidente em 1994 tendo como maior tarefa a reconciliação nacional após longo período de luta armada entre negros e brancos, luta esta que só foi abolida quando o Partido Nacional abriu canais de negociações com o Congresso Nacional Africano e outras organizações.

O Brasil, possui uma elite saudosista do império, da escravidão e do golpe de 64. Menospreza a democracia, os despossuídos, a luta popular, satiriza a anistia política de 79, tira onda com as torturas, os assassinatos, os "desaparecidos políticos" e todos os que lutaram pelo fim do autoritarismo. Afinal, nada mais normal que arriar o porrete em nome dos interesses do imperialismo, independente da época. A anistia no Brasil foi um ato ridículo em que o Estado assume os crimes, mas não se retifica à história, ao contrário, os justifica.

O regime branco da África do Sul reconheceu os delitos praticados e por esse motivo, Mandela abriu mão da luta armada e negociou a libertação do todos os presos políticos e a transição para a democracia, derrogando o apartheid. Prova de que tolerância é a palavra-chave de Madiba que ele que teve como seu primeiro vice-presidente Frederick De Klerk. O abismo socioeconômico perdura, em grau muito menor, mas pode-se dizer que a África do Sul foi inventada a partir do guerrilheiro, fã do mito Che Guevara, Madiba.

Um comentário:

Anônimo disse...

O legado das colonizações que tiveram a influência inglesa, resulta no sistema jurídico, que a sociedade civil acaba assimilando, após o fim de sua colonização. Ao contrário da nossa colonização - o legado jurídico dos Portugueses ás suas Colônias, entrava o desenvolvimento geral.
Entretanto, ressalta-se, que os Ingleses foram radicais em demasia, no Instituto Racial, imagino isso como uma mancha no resultado brilhante de todos os países dos quais direta ou indiretamente, receberam o legado jurídico dos INGLESES. Lamento o porque de não ter o BRASIL sido colonizado por eles.Se assim fosse, hoje o BRASIL SERIA UMA LÍDER MUNDIAL... ENFIM DEIXA PRA LÁ...