22.5.17

Após o Fora Temer, apenas a certeza da unidade da esquerda

É golpe atras de golpe na escalada politicamente fascista e economicamente neoliberal que tomou conta do mundo e a esquerda brasileira, com mais vaidades divisionistas que interesse em estabelecer um programa unificado, demora a acordar e a agir. Exercício de dialética não faz mal a ninguém.

Após o estelionato programático do PT e sua submissão aos interesses do grande capital monopolista, só restou ao empresariado nacional (como preposto do imperialismo), restabelecer sua lógica neoliberal sem constrangimentos, comprando o impeachment de Dilma Rousseff e colocando Temer à frente do executivo.

Agora, sob pretexto da ética, a mesma burguesia quer se livrar de Temer para viabilizar uma nova concertação, um novo nome, uma nova cara que represente a sequência das contra-reformas, como fez em 89 com Collor (cassando-o em seguida), para num breve armistício com Itamar poder consolidar o plano real e a pauta de Washington com FHC.

Num cenário de renúncia ou cassação por meio do STF, já que Temer cometeu crime comum, cabe à Maia, Eunício Oliveira ou Carmem Lúcia sequenciar a tampa desse desastre anunciado até 2018, não restando alternativa que não seja a convocação das eleições diretas por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

Para tanto, mais que um nome, é urgente que os movimentos sociais e a esquerda estabeleçam uma grande unidade programática pra superar taticamente tal conjuntura, prosseguir com às mobilizações para além do Fora Temer e das diretas já visando a alternativa estratégica do Poder Popular rumo ao Socialismo.

Sem isso, apenas esperaremos a próxima crise (cíclica) do capital que silenciosamente se reagrupa para ampliar seus tentáculos às custas da classe trabalhadora.

Vimos da pior forma no que resulta o "mal menor". Como já disse em diversas circunstâncias "mal é mal, o pior vem depois", e veio.

Não à qualquer forma de capitulação.
Fora Temer
Diretas já 
Nenhum direito a menos
Pela Unidade do campo de esquerda
Pelo poder popular 
Rumo ao Socialismo

23.4.17

SÍNTESE: IMPERIALISMO, ESTÁGIO SUPERIOR DO CAPITALISMO – DE LENIN

Por Ronilson de Sousa - Militante do PCB

A dinâmica própria do sistema do capital, baseada na exploração do trabalho e na acumulação privada da riqueza produzida, aliada a concorrência entre os capitalistas, impulsiona a desigualdade social, a concentração e a centralização do capital, além de sua expansão em escala mundial.
De acordo com Lenin (2012), o enorme aumento da indústria e o rápido processo de concentração da produção em empresas cada vez maiores constituem uma das particularidades mais características do capitalismo. Ao atingir um determinado grau desenvolvimento, a concentração por si mesma, conduz ao monopólio. Esta transformação da concorrência em monopólio constitui, segundo Lenin (2012, p. 39), “um dos fenômenos mais importantes - para não dizer o mais importante – da economia do capitalismo moderno”.
Lenin (2012) chega a resumir a história dos monopólios da seguinte maneira: 1) de 1860 a 1870, o grau superior, o ápice de desenvolvimento da livre concorrência. Os monopólios não constituem mais do que germes quase imperceptíveis; 2) depois da crise de 1873, longo período de desenvolvimento dos cartéis, que ainda constituem apenas uma exceção, ainda não são sólidos, representando somente um fenômeno passageiro; 3) auge de fins do século XIX e crise de 1900 a 1903: os cartéis passam a ser uma das bases de toda a vida econômica. O capitalismo transformou-se em imperialismo.
Todavia, Lenin (2012) considera que:

Nem todos os ramos da indústria possuem grandes empresas; por outro lado, uma particularidade extremamente importante do capitalismo chegado ao seu mais alto grau de desenvolvimento é a chamada combinação, ou seja, a reunião numa só empresa de diferentes ramos da indústria, que, ou representam fases sucessivas da elaboração de uma matéria-prima (por exemplo, a fundição do minério de ferro, a transformação do ferro fundido em aço e, em certos casos, a produção de determinados artigos de aço), ou desempenham um papel auxiliar uns em relação aos outros (por exemplo a utilização dos resíduos ou dos produtos secundários, a produção de embalagens etc.) (LENIN, 2012, p. 39)

Apesar de nem todos os ramos da indústria possuírem grandes empresas, uma particularidade do capitalismo nesse estágio de desenvolvimento é a “combinação”, que, segundo Lenin (2012), está relacionada ao domínio que uma empresa exerce sobre diferentes ramos da indústria, seja em fases sucessivas da elaboração de uma matéria-prima, seja como papel auxiliar em relação a outros. 
Nesse sentido, Lenin (2012) observa que o cenário atual é marcado pelo estrangulamento, por parte dos monopolistas, de todos aqueles que não se submetem ao monopólio, ao seu jogo, à sua arbitrariedade, e não mais a luta da concorrência entre pequenas e grandes empresas, entre estabelecimentos tecnicamente atrasados e estabelecimentos de técnica avançada.
“O monopólio, uma vez que foi constituído e controlando bilhões, penetra de maneira absolutamente inevitável em todos os aspectos da vida social, independentemente do regime político e de qualquer outra ‘particularidade’” (LENIN, 2012, p. 87).
De acordo com Lenin (2012), a partir de meados do século XIX, o capitalismo entra em uma fase particular de seu desenvolvimento: a fase imperialista. Ele destaca algumas características dessa fase do capitalismo: 1) a transição de um estágio do capitalismo de livre concorrência para fase monopolista. A concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado que deu origem aos monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida econômica; 2) a fusão do capital bancário com o capital industrial, formando o capital financeiro e uma oligarquia financeira; 3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande; 4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si, e 5) a conclusão da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes.

O imperialismo é o capitalismo no estágio de desenvolvimento em que ganhou corpo a dominação dos monopólios e do capital financeiro; em que a exportação de capitais adquiriu marcada importância, em que a partilha do mundo pelos trustes internacionais começou; em que a partilha de toda a terra entre os países capitalistas mais importantes terminou (LENIN, 2012, P. 124-125).

Lenin (2012) polemiza com a concepção de Kautsky sobre imperialismo, que, de acordo com Lenin (2012, p. 126), pode ser sintetizada da seguinte maneira: O imperialismo é um produto do capitalismo industrial altamente desenvolvido. Consiste na tendência de toda a nação capitalista industrial em submeter ou anexar regiões agrárias cada vez mais extensas, independentes da nacionalidade de seus habitantes.
Segundo Lenin (2012), o que é característico do imperialismo não é precisamente o capital industrial, mas o capital financeiro. Não é um fenômeno casual o fato de, na França, precisamente o desenvolvimento particularmente rápido, do capital financeiro, coincidindo com um enfraquecimento do capital industrial, ter provocado, a partir da década de 1880, uma intensificação extrema da política anexionista (colonial). O que é característico do imperialismo é precisamente a tendência para a anexação não só das regiões agrárias, mas também das mais industriais (apetites alemães a respeito da Bélgica, dos franceses quanto à Lorena), pois, em primeiro lugar, o fato de a divisão do globo já estar concluída obriga, para se fazer uma nova partilha, a estender a mão sobre todo o tipo de territórios; em segundo lugar, faz parte da própria essência do imperialismo a rivalidade de várias grandes potências nas suas aspirações à hegemonia, isto é, a apoderarem-se de territórios nem tanto diretamente para si, mas para enfraquecer o adversário e minar a sua hegemonia (para a Alemanha, a Bélgica tem uma importância especial como ponto de apoio contra a Inglaterra; assim como Bagdá é importante como ponto de apoio para a Inglaterra contra a Alemanha etc.).
Lenin (2012) analisa que Kautsky separa a política do imperialismo da sua economia, falando das anexações como da política “preferida” pelo capital financeiro, e opondo a ela outra política burguesa possível, segundo ele, sobre a mesma base do capital financeiro. Conclui-se, então, que os monopólios, na economia, são compatíveis com um comportamento não monopolista, não violento, não anexionista, em política. Conclui-se que a partilha territorial do mundo, terminada precisamente na época do capital financeiro, e que é a base da peculiaridade das formas atuais de rivalidade entre os maiores Estados capitalistas, é compatível com uma política não imperialista. Isto leva a se dissimularem, a se ocultarem as contradições mais fundamentais do estágio atual do capitalismo, em vez de desvela-las em toda a sua profundidade; o resultado é o reformismo burguês em vez de marxismo.

Kautsky discute com Cunow, apologista alemão do imperialismo e das anexações, cujo  raciocínio tão cínico quanto vulgar é o seguinte: o imperialismo é o capitalismo contemporâneo; o desenvolvimento do capitalismo é inevitável e progressivo; consequentemente, o imperialismo é progressivo; consequentemente devemos prosternar diante do imperialismo e glorificá-lo! Este raciocínio se assemelha, de certo modo, à caricatura que os populistas russos faziam dos marxistas em 1894 e 1895: se os marxistas – diziam eles - consideram que o capitalismo é inevitável e progressivo na Rússia, eles devem se dedicar a abrir tabernas e a fomentar o capitalismo. Esta é a resposta de Kautsky a Cunow: não, o imperialismo não é o capitalismo contemporâneo, mas apenas uma das formas da sua política; podemos e devemos lutar contra essa política, lutar contra o imperialismo, contra as anexações etc. A objeção, completamente plausível na aparência, mas equivale, na realidade, a uma defesa mais subtil, mais velada (e por isso mesmo mais perigosa), da conciliação com o imperialismo, pois uma “luta” contra a política dos trusts e dos bancos que deixe intactas as bases da economia de uns e outros não passa de reformismo e pacifismo burgueses, não vai além das boas e inofensivas intenções. Voltar as costas às contradições existentes e esquecer as mais importantes, em vez de desvela-las em toda a sua profundidade, esta é a teoria de Kautsky, que nada tem a ver com o marxismo. E, naturalmente, o único objetivo de semelhante teoria, é defender a unidade com os Cunow! (LENIN, 2012, p. 129).

De acordo com Lenin (2012), Kautsky considerava que, “do ponto de vista puramente econômico, não está excluído que o capitalismo passe ainda por uma nova fase: a aplicação da política dos cartéis à política externa, a fase do ultra-imperialismo”, isto é, o superimperialismo, a união dos imperialismos de todo o mundo, e não a luta entre eles, a fase em que as guerras sob o capitalismo cessem, a fase da "exploração geral do mundo pelo capital financeiro, unido internacionalmente”.  Lenin (2012) explica que, se, por ponto de vista puramente econômico, entende-se a “pura” abstração, tudo o que se pode dizer reduz-se à seguinte tese: o desenvolvimento se dá em direção do monopólio; portanto vai na direção do monopólio mundial único, de um truste mundial único. Isto é indiscutível, mas ao mesmo tempo é algo completamente vazio, como seria dizer que, o “desenvolvimento se dá” no sentido da produção de gêneros alimentícios em laboratórios. Neste sentido, a “teoria” do ultraimperialismo é tão absurda como seria a “teoria da ultra-agricultura”. As ocas divagações de Kautsky sobre o ultraimperialismo estimulam, entre outras coisas, a ideia profundamente errada, que joga água no moinho dos apologistas do imperialismo, de que a dominação do capital financeiro atenua a desigualdade e as contradições da economia mundial, quando, na realidade, as acirra.
Ao analisar o lugar do imperialismo na história, Lenin (2012) destaca algumas das principais manifestações do capitalismo monopolista:
Primeiro: o monopólio é um produto da concentração da produção num grau muito elevado do seu desenvolvimento. Ele é formado pelas associações monopolistas dos capitalistas, pelos cartéis, pelos sindicatos e pelos trustes. Nos princípios do século XX, conquistaram completa supremacia nos países avançados, e se os primeiros passos no sentido da cartelização foram dados anteriormente pelos países de tarifas alfandegárias protecionistas elevadas (a Alemanha, os Estados Unidos), a Inglaterra, com o seu sistema de livre-comércio, mostrou esse mesmo fato fundamental, apenas um pouco mais: o nascimento de monopólio como consequência da concentração da produção.
Segundo: os monopólios vieram acirrar a luta pela conquista das mais importantes fontes de matérias-primas, particularmente para a indústria básica e mais cartelizada da sociedade capitalista: a hulheira e a siderúrgica. O monopólio das fontes mais importantes de matérias-primas aumentou enormemente o poderio do grande capital e acirrou as contradições entre a indústria cartelizada e a não cartelizada.
Terceiro: o monopólio surgiu dos bancos, que, de modestas empresas intermediárias no passado, se transformaram em monopolistas do capital financeiro. Três ou cinco grandes bancos de cada uma das nações capitalistas mais avançadas realizaram a “união pessoal” do capital industrial e bancário, e concentraram nas suas mãos somas de milhares e milhares de milhões, que constituem a maior parte dos capitais e dos rendimentos em dinheiro de todo o país. Uma oligarquia financeira, que tece uma densa rede de relações de dependência entre todas as instituições econômicas e políticas da sociedade burguesa contemporânea sem exceção: tal é a manifestação mais evidente deste monopólio.
Quarto: o monopólio nasceu da política colonial. Aos numerosos “velhos” motivos da política colonial, o capital financeiro acrescentou a luta pelas fontes de matérias-primas, pela exportação de capitais, pelas “esferas de influência”, isto é, as esferas de transações lucrativas, de concessões, de lucros monopolistas, etc., e, finalmente, pelo território econômico em geral. Quando as colônias das potências europeias em África, por exemplo, representavam a décima parte desse continente, como acontecia ainda em 1876, a política colonial podia desenvolver-se de uma forma não monopolista, pela “livre conquista”, poder-se-ia dizer, de territórios. Mas quando 9/10 da África já estavam já ocupados (por volta de 1900), quando todo o mundo estava já repartido, começou inevitavelmente a era da posse monopolista das colônias e, por conseguinte, de luta particularmente aguda pela divisão e pela nova partilha do mundo.

Os monopólios, a oligarquia, a tendência para a dominação em vez da tendência para a liberdade, a exploração de um número cada vez maior de nações pequenas ou fracas por um punhado de nações riquíssimas ou muito fortes: tudo isto originou os traços distintivos do imperialismo, que obrigam a qualificá-lo de capitalismo parasitário, ou em estado de decomposição. É com relevo cada vez maior que emerge, como urna das tendências do imperialismo, a formação de “Estados” rentistas, de Estados usurários, cuja burguesia vive cada vez mais à custa da exportação de capitais e do “corte de cupões”. Seria um erro pensar que esta tendência para a decomposição exclui o rápido crescimento do capitalismo. Não, certos ramos industriais, certos setores da burguesia, certos países, manifestam, na época do imperialismo, com maior ou menor intensidade, quer uma quer outra dessas tendências. No seu conjunto, o capitalismo se desenvolve com uma rapidez incomparavelmente maior do que antes, mas este desenvolvimento não só é cada vez mais desigual, em geral, como a desigualdade se manifesta também, em particular, na decomposição dos países mais ricos em capital (Inglaterra) (LENIN, 2012, p. 167).

Isso ocorre, como Lenin (2012) explica, pela tendência própria do capitalismo em separar a propriedade do capital da sua aplicação à produção, separar o capital-dinheiro do industrial ou produtivo, separar o rentista, que vive apenas dos rendimentos provenientes do capital-dinheiro, do empresário e de todas as pessoas que participam diretamente na gestão do capital. O imperialismo, ou domínio do capital financeiro, é o capitalismo em seu grau superior, em que essa separação adquire proporções imensas. O predomínio do capital financeiro sobre todas as demais formas do capital implica o predomínio do rentista e da oligarquia financeira; a situação privilegiada de uns poucos Estados financeiramente “poderosos” em relação a todos os restantes.  
Além disso, na fase imperialista, sob o domínio do capital financeiro, o capitalismo não atenua, e sim acentua a diferença entre o ritmo de desenvolvimento dos diversos componentes da economia mundial. O desenvolvimento desigual, por saltos, das diferentes empresas e ramos da indústria e dos diferentes países é inevitável sob o capitalismo. Não existe desenvolvimento igual deles no capitalismo. No caso dos países, a própria exportação de capitais influencia o desenvolvimento do capitalismo no interior dos países em que são investidos, acelerando-os extraordinariamente.



LENIN, V. I. Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo. São Paulo: Expressão Popular, 2012, 171p.

20.4.17

Indígenas na cidade: índios catadores de papel contam a angústia de viver no lixão

A montanha de lixo à beira da BR-174, os urubus e o forte cheiro do chorume fazem parte do ambiente de trabalho desses indígenas em Boa Vista, Roraima.

Maíra Heinen - Repórter *
Ascom/MPT
“Vendo lixo e não tenho vergonha de falar, na minha caminhada foi fome, violência, pobreza e roubar. Nasci pra sofrer, pode crer, pra cair, levantar, errar e aprender. A caminhada é dura, tudo é fase. Zona oeste é meu lugar, nesse canto da cidade. Eu sou a voz ativa da perifa, a voz dos oprimidos, a voz dos loucos, das minas e dos bandidos, dos esquecidos pela sociedade, dos humildes que não têm vez aqui nessa cidade.”
 
A melodia e a letra notadamente urbanas do rap servem de canal para expressar as angústias do catador de material reciclável e indígena wapixana Charlesson da Silva, de 18 anos. Ele não tem vergonha de trabalhar como catador em Boa Vista, capital de Roraima, mas o que quer para o futuro está fora dos lixões.
 
“Melhorar de vida, melhorar a vida da família também. Voltei a estudar, né? E quero me formar em direito. Tem o rap, mas também quero ter um trabalho assim, bacana”, conta.
 
O rapper é o orgulho da mãe, Mara Wapixana. Ela também coleta material no lixão, mas não vai ao local com frequência. “Não desejo isso aqui pra ninguém, mas para não tá pedindo nem tá roubando por aí, a gente fica por aqui mesmo.”
 
A montanha de lixo à beira da BR-174, os urubus e o forte cheiro do chorume fazem parte do ambiente de trabalho desses indígenas. O lixão acaba sendo a última possibilidade na busca pela sobrevivência, como conta o presidente da Organização dos Indígenas da Cidade, em Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa. “Para quem não aguenta mais estar naquela situação de trabalho de exploração da mão de obra, muitos não veem outra saída para sair daquela situação, senão fazer a coleta seletiva no lixo. O fundo do poço da questão indígena urbana é a presença no lixão.”


 
Lixão em Roraima


Lixão em Roraima, à beira da BR-174Maira Heinen/Radiojornalismo


 
Para buscar visibilidade e saber as principais demandas desses trabalhadores, o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia começou, em 2013, a atuar com os indígenas coletores de material reciclável na capital de Roraima. A maioria dos índios demandava a regularização da profissão de catador e o acesso a documentos. A coordenadora da equipe de trabalho do projeto, Marineide Peres da Costa, conta que grande parte dos indígenas é formada por estrangeiros, principalmente da Guiana e, mais recentemente, da Venezuela. Para ela, o local é desolador.
 
“É um ambiente muito pesado. Tá certo que é uma classe trabalhadora, mas ela não é valorizada. Elas não conseguem a sustentabilidade do próprio trabalho. É muito desvalorizada, principalmente as mulheres que estão ali em cima”, conta.
 
Funai
A Funai acompanha de forma tímida a situação dos indígenas catadores, como define o próprio coordenador da fundação em Boa Vista, Riley Mendes. “Quando a gente começou a acompanhar, eles se dispersaram. Eles não queriam ser contados como catadores de lixo. Foi muito tímido ali no início. Mas eles não se identificavam como indígenas. Eles não queriam ser identificados como indígenas.”
 
Para alguns indígenas, a melhora de vida pode vir com a adequação do local à Lei de Resíduos Sólidos, com a atuação de cooperativas e de uma usina de reciclagem. O aterro sanitário de Boa Vista deve se adequar à lei até meados de 2018, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista. Os catadores, de acordo com o secretário Daniel Peixoto, serão contemplados. Mas há um porém em relação a indígenas estrangeiros.
 





“Não cabe a responsabilidade da prefeitura nesse sentido. Se ele estiver ilegal no país, eu não tenho como botar ele para trabalhar”, disse.
 
Mas a possibilidade de mudança no lixão anima Márcio Wapixana, que espera trabalhar com carteira assinada. “Vai ser carteira assinada, né? Aí vai ser bom agora. A vida vai melhorar, de muita gente. Ainda mais para o pessoal daqui, que precisa muito. Vão ser abertas três cooperativas, né?”
 

 
Edição: Talita Cavalcante




Créditos da foto: Ascom/MPT


Giap: paz ou violência?


A violência: parteira do novo sistema social
Desde o momento em que a sociedade foi dividida em classes, as classes dominantes estabeleceram sua máquina de Estado para oprimir e explorar as classes dominadas por elas. O Estado é o instrumento de violência empregado pelas classes dominantes para esmagar toda a resistência que possa surgir das classes dominadas. Os dominadores empregam tropas, polícias, espiões, tribunais de justiça e prisões contra os dominados. As classes exploradoras no Poder empregam sempre, por uma parte, a violência para reprimir as classes exploradas. Por outra parte, empregam seus “teóricos” para difundir o pacifismo e a teoria da “não violência” fazendo com que os explorados resignem-se de seu destino sem recorrer a violência para resistir aos ataques das classes exploradoras no Poder.

Entretanto, os que constantemente recorrem a violência para a repressão do povo trabalhador, são os que clamam contra o uso da violência. A violência que se opõe e atacam é a que os oprimidos e explorados por eles empregam para resistirem, tanto que a violência que eles utilizam frequentemente para reprimir o povo trabalhador a proclamam como um favor que concedem a este último.

Os que engoliram o veneno do pacifismo e humanitarismo burgueses se opõe a toda forma de violência. Não fazem nenhuma distinção do caráter de classe dos diversos tipos de violência. Para eles a violência empregada pela burguesia com o objetivo de reprimir o proletariado e a violência utilizada por este último para resistir à burguesia são a mesma coisa. Lenin disse uma vez: “Falar de ‘violência’ em geral, sem distinguir as condições que diferenciam a violência reacionária da revolucionária, é equiparar-se a um filisteu que renega a revolução, ou simplesmente, engana a si mesmo e engana aos demais com sofismas” [1].

Para os pacifistas, todo o tipo de violência é nocivo. Diante da morte causada pela violência, a única coisa que podem fazer é gemer e se lamentar. Não sabem nada da lei do desenvolvimento social. Somente veem o lado feio da violência e não compreendem que, além de sua feiura, cumpre um papel revolucionário na história. Marx disse uma vez que a violência “é a parteira de toda a velha sociedade que leva em seu seio outra nova”.

O revisionismo e a violência
Hoje em dia os revisionistas contemporâneos e os oportunistas de direita do movimento comunista e do movimento operário seguem vociferando sobre “paz” e “humanitarismo”; não se atrevem a mencionar a palavra “violência”. Para estes, a violência é um tabu. Temem esta assim como a sanguessuga teme o cal. O fato é que negam a teoria marxista-leninista sobre o papel da violência na história. Já fazem mais de 80 anos, que ao criticar a filosofia reacionária de Dühring, Engels escreveu: “Para Herr Dühring a violência é o mal absoluto; o primeiro ato de violência é para ele o pecado original. Toda sua exposição é uma jeremiada sobre a maneira em que até hoje a história se contamina assim pelo pecado original, sobre a infame desnaturalização de todas as leis naturais e sociais por este poder diabólico: a violência. Mas, a violência continua desempenhando na história um outro papel: um papel revolucionário; segundo as palavras de Marx, ela é a parteira de toda a velha sociedade que leva em seu seio outra nova; é o instrumento com a ajuda do qual o movimento social abre caminho e estilhaça as formas fossilizadas e mortas; sobre isto, não há sequer uma palavra em Herr Dühring” [2].

Os comunistas não são tolstoístas ou discípulos de Gandhi que pregam a “não violência”. Tampouco difundem a ideia da “violência pela violência”. Não são “belicosos” e “sedentos de sangue” como sempre dizem os reacionários para calunia-los. Simplesmente mostram os comunistas um fato, quer dizer, a violência é um fenômeno social, um resultado da exploração do homem pelo homem e um meio empregado pelos blocos dominantes e exploradores para manter e estender sua dominação. Os comunistas sustentam que a classe operária e o resto do povo trabalhador – vítimas de exploração e dominação – devem recorrer à violência revolucionária para esmagar a violência contrarrevolucionária, de modo que possam alcançar sua própria emancipação e que a sociedade possa avançar de acordo com a lei do desenvolvimento histórico. Fazem mais de 100 anos que Marx e Engels estabeleceram claramente no Manifesto do Partido Comunista: “O proletariado derrocando mediante a violência a burguesia, implanta sua dominação” [3].

Também disseram: “Os comunistas consideram indigno ocultar suas ideias e propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos somente podem ser alcançados derrocando por meio da violência toda a ordem social existente” [4].

Os comunistas expõem o papel histórico que cumpre a violência não porque sejam “maníacos” por esta, mas sim porque é uma lei que rege o desenvolvimento social da humanidade. Não poderá triunfar nenhuma revolução e nenhum desenvolvimento da sociedade humana sem entender tal lei.

A ditadura do proletariado
A causa revolucionária do proletariado não significa uma simples reformulação do pessoal do governo ou uma simples troca de gabinetes, enquanto que segue intacta a velha ordem política e econômica. A revolução proletária não deve conservar a máquina de Estado (polícia, gendarmes, forças armadas e estrutura burocrática existentes), empregada principalmente para oprimir o povo, mas sim, deve destruí-la e em seu lugar edificar uma absolutamente nova. Esta é uma das condições que marcam a diferença entre a revolução proletária e a revolução burguesa. A revolução burguesa não esmaga a máquina de Estado feudal existente, mas sim, apodera-se dela, a mantém e aperfeiçoa-a. Contrariamente, a revolução proletária aniquila a máquina estatal existente do sistema capitalista.

A revolução proletária é um processo de luta aguda no qual a burguesia é derrubada, a ordem burguesa é destruída, as propriedades dos capitalistas e dos senhores de terra são confiscadas e se realiza a propriedade pública dos principais meios de produção. A classe operária não se apodera simplesmente da máquina estatal existente nem transfere a máquina estatal militarista burocrática das mãos da burguesia para as suas. Deve esmagar a máquina estatal burguesa e estabelecer uma nova máquina estatal própria, quer dizer, a ditadura do proletariado. Esmagar a máquina estatal existente é “a condição preliminar de toda a revolução popular verdadeira”. Em uma carta a L. Kugelman em 1871, Marx considerava que tal ação era essencial para todos os países da Europa continental, e que nos anos de 1870 a 1880, nos países fora do continente europeu, tais como Inglaterra e os Estados Unidos, era possível que a classe operária se apoderaria do poder estatal por meios pacíficos, porque nesse tempo o capitalismo não havia crescido até transformar-se em capitalismo monopolista e também não se haviam desenvolvido na Inglaterra, nem nos EUA o militarismo e a burocracia. Este era o estado de coisas antes do surgimento do imperialismo. Mas ao começar o século XX, quando o capitalismo prevalecia em todos os países e se desenvolvia até alcançar sua etapa superior, quer dizer, o imperialismo, e quando o militarismo e a burocracia começaram a aparecer na Inglaterra e nos EUA, a possibilidade de apoderar-se do poder estatal por meios pacíficos já não existia mais nestes dois países. Em 1917, Lenin escreveu em “Estado e a Revolução” que esta tese de Marx com sua limitada aplicação ao continente já não poderia ser aplicada e que na Inglaterra ou nos Estados Unidos a demolição da maquinaria estatal existente já se havia convertido em uma condição primordial para qualquerrevolução popular autêntica. Em 1918, em “A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky”, Lenin considerava esta questão como uma lei universal: “A revolução proletária é impossível sem destruir violentamente a máquina do Estado burguês e sem substituí-la por uma nova...” [5].

Quando Lenin criticou a chamada tese de Kautsky de que “a transição poderia ocorrer pacificamente, quer dizer, de uma maneira democrática”, destacou claramente que este era um intento de ocultar os leitores do fato de que a violência revolucionária é o sinal fundamental do conceito da ditadura do proletariado, e que era uma fraude encaminhada a substituir a revolução violenta pela revolução pacífica. Disse: “todos os subterfúgios, os sofismas, as falsificações vis de que Kautsky se vale, lhe fazem falta para esquivar-se da revolução violenta, para ocultar que renega esta, e que ele passou para o lado da política operária liberal, ou seja, para o lado da burguesia. É aí que reside o cerne” [6].

NOTAS
[1] V.I. Lenin: La Revolución Proletaria y el renegado Kautsky
[2] F. Engels: Anti-Dühring
[3] C. Marx y F. Engels: Obras escogidas en dos tomos, tomo 1, pag. versión española, Ediciones en Lenguas Extranjeras, Moscú, 1951.
[4] C. Marx y F. Engels: Obras escogidas en dos tomos, tomo 1, pag. 52, versión española, Ediciones en Lenguas Extranjeras, Moscú, 1951.
[5] V.I.Lenin: La revolución proletaria y el renegado Kautsky, pag 12 versión española. Ediciones en Lenguas Extranjeras, Moscú.
[6] V.I.Lenin: La revolución proletaria y el renegado Kautsky, pag 14 versión española. Ediciones en Lenguas Extranjeras, Moscú.


 Extrato de um artigo de Vo Nguyen Giap, publicado em “El Hombre y el Arma”, 
pg. 153 a 158, das edições La Rosa Blindada, 1968.

Traduzido por Igor Dias

19.4.17

PARA DESVENDAR O ELITISMO DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO

Tese de Doutorado começa mapear a teia de relações
aristocráticas e capitalistas que torna Justiça
tão favorável ao poder e hostil aos pobres
Por Cida de Oliveira, na RBA

Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o Judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.

Para sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Almeida fez entrevistas, analisou currículos e biografias e fez uma análise documental da Reforma do Judiciário, avaliando as elites institucionais, profissionais e intelectuais.

Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da Justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Já as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito que atuam na administração da Justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.

O último grupo, das elites intelectuais, é formado por especialistas em temas relacionados à administração da Justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, tem influência nas discussões sobre o setor e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.

No estudo, verificou-se que as três elites políticas identificadas têm em comum a origem social, as universidades e as trajetórias profissionais. Segundo Almeida, “todos os juristas que formam esses três grupos provêm da elite ou da classe média em ascensão e de faculdades de Direito tradicionais, como o Faculdade de Direito (FD) da USP, a Universidade Federal de Pernambuco e, em segundo plano, as Pontifícias Universidades Católicas (PUC’s) e as Universidades Federais e Estaduais da década de 60”.

Em relação às trajetórias profissionais dos juristas que pertencem a essa elite, Almeida aponta que a maioria já exerceu a advocacia, o que revela que a passagem por essa etapa “tende a ser mais relevante do que a magistratura”. Exemplo disso é a maior parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), indicados pelo Presidente da República, ser ou ter exercido advocacia em algum momento de sua carreira.

O cientista político também aponta que, apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. Segundo ele, critérios como porte e oratória favorecem indivíduos provenientes da classe média e da elite socioeconômica, enquanto a militância estudantil e a presença em nichos de poder são fatores diretamente ligados às relações construídas nas faculdades.

“No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos. É exigido como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram”, afirma o pesquisador.

Por fim, outro fator relevante constatado no levantamento é o que Almeida chama de “dinastias jurídicas”. Isto é, famílias presentes por várias gerações no cenário jurídico. “Notamos que o peso do sobrenome de famílias de juristas é outro fator que conta na escolha de um cargo-chave do STJ, por exemplo. Fatores como estes demonstram a existência de uma disputa política pelo controle da administração do sistema Judiciário brasileiro”, conclui Almeida.


18.4.17

Em carta a Temer, Papa Francisco diz que é preciso pensar nos pobres e critica ‘soluções fáceis’ para a crise


Em carta a Temer, Papa Francisco diz que é preciso pensar nos pobres e critica ‘soluções fáceis’ para a crise

Crédito da foto: Divulgação
O Papa Francisco afirmou, em carta enviada a Michel Temer, que a crise que o Brasil enfrenta não é de fácil solução e que é preciso pensar, antes de tudo, nos mais pobres. De acordo com o Blog do Camarotti, do G1, o pontífice afirmou que “não podemos mais confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado” e lembrou que o crescimento equitativo exige algo mais do que o crescimento econômico.
“Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”, escreveu.
Desde que assumiu, Temer vem tomando medidas que custam caro aos direitos dos trabalhadores e servem exclusivamente ao empresariado brasileiro e às classes econômicas dominantes – ponto que se encaixa na crítica de Francisco. Esse tipo de constatação vir da instância maior de representação católica – o papa – tem extrema relevância em um país como o Brasil, que ainda é predominantemente cristão.
A carta é uma resposta à invitação enviada por Temer no ano passado, já depois de consumado o golpe. Na ocasião, o presidente ilegítimo convida o papa a visitar o Brasil nas comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida em 2017. O convite foi recusado.

SETE FRASES DE LÊNIN QUE RETRATAM A ATUAL SITUAÇÃO DO BRASIL

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O líder do Partido Bolchevique, que encabeçou a revolução socialista de outubro de 1917, é detentor de uma vasta obra teórica e de propaganda.

Lenin escreveu diversos artigos em jornais, livros e folhetos de agitação para a militância revolucionária de sua época e a classe trabalhadora, camponesa e os saldados russos. Não é nenhum exagero dizer que, muito do que ele escreveu e analisou, não perdeu a atualidade, ainda mais nos dias de hoje em que o Brasil enfrenta problemas complexos decorrentes da crise do sistema capitalista mundial.
Quando se completam exatos cem anos do regresso de Lenin à Rússia, recordamos algumas frases espalhadas por vários escritos do líder revolucionário.
1. “Quando a indústria prospera, os patrões obtêm grandes lucros e não pensam em repartir com os operários. Mas durante a crise os patrões tratam de despejar sobre os ombros dos operários os prejuízos.” (Sobre as greves)
2. “Os governos são empregados da classe dos capitalistas. Os empregados são bem pagos. Os empregados são os próprios acionistas. E em conjunto tosquiam os carneirinhos ao som dos discursos sobre ‘patriotismo’…” (Os armamentos e o capitalismo)
3. “A propriedade privada baseada no trabalho do pequeno patrão, a livre concorrência, a democracia, todas essas palavras de ordem por meio das quais os capitalistas e a sua imprensa enganam os operários e os camponeses, pertencem a um passado distante. O capitalismo transformou-se num sistema universal de subjugação colonial e de estrangulamento financeiro da imensa maioria da população do planeta por um punhado de países ‘avançados’.” (Imperialismo, fase superior do capitalismo)
4. “Os capitalistas chamam liberdade de imprensa à liberdade dos ricos de subornarem a imprensa, à liberdade de utilizar a riqueza para fabricar e falsificar a chamada opinião pública.” (Teses e relatório sobre a democracia burguesa e a ditadura do proletariado)
5. “O reformismo é uma conquista burguesa dos operários, que permanecerão sempre escravos assalariados, apesar de determinadas melhorias, enquanto existir a dominação do capital. […] A burguesia liberal, dando reformas com uma das mãos, retira-as sempre com a outra, as reduz a nada, utiliza-as para subjugar os operários, para os dividir em diversos grupos, para perpetuar a escravidão assalariada dos trabalhadores. Por isso o reformismo, mesmo quando é inteiramente sincero, transforma-se de fato num instrumento de corrupção burguesa e enfraquecimento dos operários. […] Os reformistas procuram dividir e enganar os operários com esmolas, afastá-los da sua luta de classe. […] Quanto mais forte é a influência dos reformistas sobre os operários, tanto mais fracos são os operários, tanto mais dependentes da burguesia, tanto mais fácil é para a burguesia reduzir as reformas a nada por meio de diversos subterfúgios. Quanto mais independente e profundo, quanto mais amplo pelos seus objetivos for o movimento operário, quanto mais livre ele for da estreiteza do reformismo, tanto melhor os operários conseguirão consolidar e utilizar as melhorias isoladas.” (Marxismo e reformismo)
6. “A democracia tem uma enorme importância na luta da classe operária por sua emancipação. Mas a democracia não é um limite que não possa ser ultrapassado, e sim uma etapa no caminho que vai do feudalismo ao capitalismo e do capitalismo ao comunismo.” (O Estado e a revolução)
7. “Nem a opressão dos de baixo, nem a crise dos de cima, são suficientes para produzir a revolução – a única coisa que produzirão será a putrefação do país – se o referido país não possuir uma classe revolucionária capaz de transformar o estado passivo de opressão em estado ativo de cólera e de insurreição.” (A comemoração do Primeiro de Maio pelo proletariado revolucionário)

KIM JONG UN

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Por Lincoln Secco.

A Coréia do Norte é um país. Esta verdade simples é inaceitável para a maior parte da imprensa mundial. É como se aquela nação não tivesse o direito de existir. Seria uma monarquia comunista, um país faminto e obsoleto ou uma ditadura sanguinária e terrorista.
Ainda que todas as coisas acima ditas fossem verdadeiras, nós acharíamos várias delas em outros países do mundo apoiados pelo “Ocidente”. Por isso, ninguém está interessado no povo da Coréia do Norte e muito menos em “libertá-lo”.
Depois de ocupada pelo Japão, a Coréia foi de fato libertada pelos aliados em 1945. A luta entre os comunistas e seus inimigos já mantinha o país dividido. Em 1950, depois da desocupação, iniciou-se a Guerra Civil. Os EUA invadiram o norte e capturaram a capital, Pyongyang, em outubro de 1950. Em apoio às tropas de Kim Il Sung, os chineses entraram secretamente na Coréia do Norte e iniciaram uma ofensiva. Depois de conquistarem Seul, os chineses sofreram a contra-ofensiva e recuaram até o famoso paralelo 38, que divide as duas Coréias. As lutas encarniçadas por posições no território coreano se prolongaram até julho de 1953.
A partir da implantação da Ditadura em 1961, a Coréia do Sul teve amplo progresso industrial. O norte, isolado (salvo pelo apoio chinês), teve que se manter com escassos recursos naturais. A ideologia Zuche, adotada pelo país, significa a perene busca da autonomia econômica e da soberania política. Mas o isolamento diplomático obrigou Kim Il Sung a destinar grande parte de seu orçamento para a defesa, visto que seu adversário não são as tropas sul-coreanas, mas o Exército dos EUA.
Sem as Forças Armadas descomunais que possui, a Coréia do Norte há muito teria sucumbido. E como qualquer país armado até os dentes, não se pode esperar que lá vigore a mais pura “democracia”. A propaganda difundida pela imprensa estadunidense e reproduzida no Brasil mostra o atual líder do país como o maior perigo à paz mundial. Adjetivos como loucoterrorista e lunático incrementam o medo das pessoas. Afinal, o “louco” é um jovem com armas nucleares!
Durante meio século, os sucessivos governos dos EUA desenvolveram artefatos nucleares. Os EUA foram o único país do mundo a agredir outro país com tais armas. Mas ninguém diz que há tresloucados com armas nucleares por lá. Nem mesmo na época da gang de Bush (aliás, continuador da dinastia de seu pai…), que ocupara antes a presidência. Como todos sabem, as eleições estadunidenses são indiretas e, mesmo assim, Bush Junior ganhou-as mediante fraude.
Se Kim Jong-un ou qualquer outro líder é louco, não sabemos. O fato é que sua política de ameaças faz todo o sentido e reflete a razão de Estado de um país sitiado há mais de 50 anos. Abdicar da possibilidade da guerra seria render-se e desintegrar o sistema socialista vigente. Que inimigos de esquerda ou direita o queiram, é compreensível. Mas acreditar que um estadista abandonaria o poder sem lutar é uma ilusão. Se ameaçado por uma invasão, poderia sim apelar para uso de qualquer armamento. E os generais dos EUA, que não ignoram as lições de Clausewitz, sabem que a guerra leva a uma escalada para os extremos.
Seria louvável que os governos fossem varridos e as comunidades dispusessem para si dos trilhões de dólares que já foram gastos no mundo todo com a violência dos Estados entre si ou contra seus cidadãos. Mas mudar a razão das guerras não está em discussão aqui. O que está em jogo é mais uma progressiva propaganda do governo dos EUA para destruir um país. Já vimos a mesma história mentirosa sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein.
Há de fato um grande perigo de desencadeamento de uma guerra com armas convencionais ou nucleares. Os loucos podem sempre provocá-la. Mas eles não estão em Pyongyang, e sim em Washington.

Lincoln Secco é professor de História Contemporânea na USP. Publicou pela Boitempo a biografia de Caio Prado Júnior (2008), pela Coleção Pauliceia. É organizador, com Luiz Bernardo Pericás, da coletânea de ensaios inéditos Intérpretes do Brasil (título provisório), que será lançada no segundo semestre de 2013. Colaborou para o Blog da Boitempo mensalmente durante o ano de 2011. A partir de 2012, tornou-se colaborador esporádico do Blog.

A TEORIA JUCHE E A REVOLUÇÃO COREANA

 Por Gabriel Martinez

“Os revolucionários devem ter como máxima de suas vidas e de suas lutas, a verdade de que se confiam e se apóiam no povo, sempre se sairão vitoriosos, porém se são repudiados por ele, sofrerão mil derrostas.”Kim Il Sung – Presidente e líder histórico da República Popular e Democrática da Coréia.

É necessário notar que, mesmo entre comunistas, pouco se comenta sobre a experiência socialista coreana. Soma-se a falta de informação com o preconceito ideológico das classes dominantes e muita coisa deixa de ser explicada corretamente. Não é difícil encontrarmos militantes socialistas e comunistas defendendo a posição ideológica do imperialismo, de que a República Popular Democrática da Coréia (RPDC) vive sob uma “ditadura-monárquica” brutal. 

A experiência norte-coreana deve ser analisada à luz do materialismo-histórico, tendo em vista que a revolução coreana é parte da revolução proletária mundial e que representou um papel importante na luta transformadora do século XX. As forças revolucionárias precisam – urgentemente – recuperar sua autonomia ideológica, rompendo definitivamente com os preconceitos difundidos pela ideologia dominante do imperialismo.

O que é Idéia Juche?
A ideologia oficial do partido governante da RPDC, o Partido do Trabalho da Coréia (PTC), é a Idéia Juche. A Idéia Juche foi desenvolvida por Kim Il Sung, líder da revolução coreana e fundador do Partido do Trabalho da Coréia. De acordo com os comunistas coreanos a superioridade da Idéia Juche consiste no fato de que, indicando a posição e o papel do homem no mundo, esclarece-se de maneira mais científica a forma como o homem forja o seu destino. O problema fundamental da filosofia deixa de ser a relação entre o pensar e a existência e passa a ser entre o mundo e o homem. Segundo os atuais dirigentes comunistas coreanos, a Idéia Juche não é apenas o marxismo-leninismo adaptado à realidade coreana, mas sim uma nova ideologia, superior ao próprio marxismo. É o socialismo científico alçado a outro patamar. 

Nas palavras de Kim Jong Il, principal líder da RPDC:
“Se o marxismo criou pela primeira vez a concepção revolucionaria de mundo da classe trabalhadora, a idéia Juche a aperfeiçuou, desenvolvendo-a à uma etapa superior.”

Em suas memórias Kim Il Sung nos revela que durante a luta revolucionária “sua doutrina”, “seu credo” foi o chamado “iminwichon”, que significa considerar o povo como o centro de tudo. O principio básico da Idéia Juche é de que as massas populares são donas do mundo e de seu próprio destino.

A RPDC foi fundada em um período de ascensão do movimento revolucionário, mais precisamente no ano de 1948, um ano antes da fundação da República Popular da China. Assim como as demais revoluções que triunfaram na Ásia a defesa da dignidade nacional estava em primeiro plano. Para os comunistas coreanos só poderia existir defesa da dignidade nacional se tal luta estivesse ligada organicamente com a luta pelo socialismo. Só quem viveu aquele sombrio período pode relatar com precisão o que era viver em um país ocupado pelo imperialismo japonês. As feridas deixadas pela invasão japonesa, e mais tarde, pela guerra promovida pelo imperialismo norte-americano ainda sangram e mechem profundamente com o emocional dos coreanos. Vale lembrar que o país asiático onde mais ocorrem protestos contra os Estados Unidos é justamente a Coréia do Sul.

Patriotismo, Nacionalismo e Comunismo: alguma contradição?
Uma das grandes polêmicas que perduram dentro do campo das forças revolucionárias, até os dias de hoje, é o da possibilidade de relacionar ideais nacionalistas com ideais comunistas. As revoluções de libertação nacional, que eclodiram na Ásia e África, demonstraram empiricamente que a Questão Nacional é o elo que liga as massas populares dos países subjugados pelo domínio econômico e militar do imperialismo ao socialismo. Contudo, para não gerar confusão, acredito que seja necessário distinguir os dois tipos de nacionalismo; aquele professado pelos imperialistas, que legitima agressões, invasões e espoliações, e o nacionalismo popular das massas de países subjugados, que defende os interesses da nação contra os invasores e a exploração imperialista. Em suma, trata-se de dois conceitos diferentes de nacionalismo: o da burguesia e o das massas oprimidas.

No texto Para compreender corretamente o Nacionalismo Kim Jong Il chama a atenção e expõem a necessidade de se diferenciar o “verdadeiro nacionalismo” do “nacionalismo da burguesia”. Para ele o nacionalismo burguês se manifesta como “egoísmo nacional”, “exclusivismo” e “chauvinismo de grande potência”. Essa afirmação não é nenhuma novidade dentro do movimento comunista internacional, mas mesmo assim alguns países socialistas chegaram a cometer esse desvio. Para os comunistas coreanos os grandes clássicos do marxismo-leninismo não deram respostas suficientes a respeito do sentimento nacionalista, devido ao grande combate que a teoria revolucionária travou contra esta idéia, isso permitiu que não se tratasse corretamente esse aspecto da teoria. Kim Jong Il afirma que:
“O nacionalismo não está em contradição com o internacionalismo. Internacionalismo é ajuda apoio e solidariedade entre os países e nações (...) Para dizer a verdade, um internacionalismo à margem da nação e divorciado do nacionalismo não significa nada.”


Outro exemplo clássico de junção de ideais nacional-patrióticos e comunistas é o caso do Vietnã. Ho Chi Minh, um dos maiores revolucionários da história, disse certa vez que, teria sido o patriotismo, e não o comunismo, que o levou acreditar em Lênin e na 3ª Internacional.

Levando em consideração que em países subjugados pelo imperialismo, podem fazer parte do que chamamos de “massas populares” várias classes sociais diferentes (operários, camponeses, pequena-burguesia, burguesia nacional) é necessário que os comunistas compreendam que a sua concepção de nacionalismo e patriotismo se difere da concepção burguesa. Analisando o caso coreano, muitos setores da burguesia nacional acreditavam que após a libertação da pátria, o que deveria ser feito era a restauração da velha monarquia, ou alguns, nutrindo esperanças reformistas, acreditavam que o caminho correto a seguir era o da construção do capitalismo. Porém, os fatos demonstram que somente os comunistas poderiam levar a luta revolucionária do povo coreano até o fim, defendendo um nacionalismo-popular de caráter revolucionário.

Os países asiáticos que realizaram revoluções socialistas e depois resistiram à queda do campo socialista não abriram mão de seu caráter internacionalista. É um principio de classe inerente à ideologia comunista, mas ao mesmo tempo não podem abrir mão de seus interesses nacionais, tendo em vista que o imperialismo ainda ameaça a independência dos povos no mundo e principalmente a soberania desses países. Basta analisarmos o apoio que os Estados Unidos deram, e ainda dão, aos separatistas tibetanos e Dalai Lama, na luta pela desestabilização da República Popular da China. Lembrando que a questão nacional se faz presente em amplos países do chamado “Terceiro Mundo” e não somente dos países socialistas que ainda existem.

Acredito ser necessário abordar mais um problema, que nos leva a defender a ainda presente centralidade da questão nacional na revolução coreana. Devemos levar em consideração que a Coréia é um país ocupado e dividido. A RPDC sofre não somente um poderoso bloqueio econômico, mas também militar. O risco de uma possível guerra ainda é uma realidade na vida do povo. Após o término da guerra da Coréia, nenhum tratado de paz entre Estados Unidos e Coréia Popular foi assinado. Incentivar o sentimento patriótico é uma maneira de estimular o espírito das massas no combate ao imperialismo e na resolução do problema da reunificação da pátria. O problema da reunificação da pátria só será devidamente solucionado quando as tropas americanas deixarem o sul da península, para que o próprio povo coreano cuide dos problemas relevantes a sua reunificação nacional pacifica.

Movimento comunista coreano e a luta pela libertação da pátria
O triunfo da Revolução de Outubro trouxe novos ventos para o mundo todo e na Ásia, obviamente, não foi diferente. Na época a Coréia se encontrava sob ocupação japonesa e a luta pela libertação nacional era a principal bandeira de luta dos progressistas coreanos. Foi nesse cenário que começou o surgimento de pessoas adeptas aos ideais comunistas, tendo em vista o declínio do nacionalismo burguês. Antes mesmo do triunfo da revolução russa, foi fundada na Coréia, uma organização chamada ANC (Associação Nacional Coreana). Era uma organização clandestina que tinha como objetivo promover a libertação do país e construir um Estado “soberano” e “civilizado”.

A base social da ANC era muito ampla, uma organização de massas, que contava com a presença de trabalhadores, camponeses, estudantes, militares independentistas, comerciantes, religiosos, etc. Kim Hyong Jik, pai de Kim Il Sung, foi um dos fundadores da ANC.

O Partido Comunista da Coréia foi fundado em 1925 e dissolvido em 1928, após anos de repressão brutal e muitas disputas fracionárias dentro do partido. Kim Il Sung costumava tratar com certo desprezo as diversas frações que se diziam marxistas-leninistas como era o caso do grupo “União Marxista Leninista” e o “Grupo Hwayo”. Em 1926 Kim Il Sung criou a UDI (União para derrotar o imperialismo). O tempo que passou em uma escola militar dirigida pelos nacionalistas coreanos, fez amadurecer a idéia de que, com aquela ideologia (nacionalista burguesa) e os métodos militares utilizados pelas forças independentistas, a independência da Coréia não iria se concretizar.

A UDI prestou um papel importante na elevação do grau de consciência e organização das massas coreanas, principalmente os jovens. Mais tarde a UDI se converteria na União da Juventude Anti-imperialista. Depois, em 1927, Kim Il Sung funda a UJCC (União da Juventude Comunista da Coréia). Estendendo sua atividade para o território chinês, Kim Il Sung fundaria mais organizações de massas, como a União da Juventude Paeksan e a União de Camponeses de Xinantun.

No decorrer da luta revolucionária, após longo processo de reflexão dos aspectos ideológicos que guiavam a ação dos comunistas coreanos, Kim Il Sung concebe a Idéia Juche. O objetivo da nova idéia revolucionária era o de munir as massas populares de uma ideologia que buscasse a independência da Coréia, apoiando-se na própria força do povo coreano. Kim Il Sung concluiu que cada nação pode fazer triunfar sua revolução somente sob sua própria responsabilidade e que os problemas surgidos no interior do processo deveriam ser solucionados de maneira independente.

A “Conferência de Kalun” e o ponto de virada da revolução coreana
No dia 30 de Junho de 1930, ocorre em Kalun, na China, uma reunião de dirigentes da Juventude Comunista e Anti-imperialista. Tal reunião representaria um marco na história do movimento comunista coreano. Nela, Kim Il Sung apresentou um informe intitulado “O caminho a ser seguido pela revolução coreana”, que apresenta pela primeira vez as concepções da Idéia Juche. As principais diretrizes da reunião definiram:

- A primeira etapa da revolução coreana era democrática, anti-imperialista e anti-feudal;
- As principais forças da revolução são constituídas pelos amplos setores antiimperialistas da sociedade coreana, formados por camponeses, trabalhadores, estudantes, intelectuais, pequenos proprietários, religiosos e capitalistas que possuíam alguma consciência nacional;
- Constituir um Exército Revolucionário da Coréia, que conduziria a Luta Armada Antijaponesa;
- Fundar de maneira independente um partido revolucionário comunista, corrigindo os erros que levaram a liquidação do antigo partido.
A primeira organização do novo partido surge logo após o término da conferência de Kalun e ganha o nome de Associação de Camaradas Konsol. Logo após, se constitui o Exército Revolucionário da Coréia. A nova orientação surgida na Conferência de Kalun ganha apoio da Internacional Comunista.
Após duras batalhas, em 1945, finalmente, o povo coreano vence o imperialismo japonês; o povo coreano, através de suas organizações clandestinas, o Exército Popular Revolucionário e o Exército Vermelho (URSS) foram os principais atores da revolução coreana. Comitês Populares se espalharam por todo território coreano, constituindo assim um órgão de poder popular constituído pelo próprio povo coreano. A União Soviética permaneceu estacionada na parte norte da península. Os Estados Unidos só entrariam na parte sul da península coreana, três semanas depois da libertação do país, e logo trataram de reprimir violentamente os Comitês Populares, devolvendo o poder aos antigos oligarcas representantes do regime colonial. A União Soviética retirou suas tropas da Coréia em 1948, ao passo que os Estados Unidos mantêm as suas até os dias de hoje.

A luta revolucionária do povo coreano nasceu da luta por independência, que começou a ficar mais organizada após a fundação da ANC. Mesmo após anos de lutas por libertação, a revolução coreana está inconclusa. O país segue ocupado por forças imperialistas, estacionadas no sul, que impedem o antigo sonho das massas populares coreanas por independência. O imperialismo americano impôs ao povo coreano uma nova experiência de humilhação: a divisão do país. Em um país ocupado, bloqueado, que sofre ameaças constantes da mais poderosa máquina de guerra da história, a Idéia Juche representa a sistematização teórica da longa trajetória revolucionária do povo coreano, de seu anseio por autonomia, adequando os princípios básicos do socialismo-científico à realidade coreana.

Referências bibliográficas:
•Zong Il, Kim. Sobre La Idea Zuche. Pyongyang: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 1982, Corea.
•Kim Il Sung: Breve Biografia. Pyongyang: Ediciones en Lenguas Extranjeras, 2001, Corea.
•Il Sung, Kim. En el Transcurso Del Siglo vol.I e II. Pyongyang: Ediciones en 
Lenguas Extranjeras, 2001, Corea.

•Jong Il, Kim. Para compreender correctamente el Nacionalismo. Pyongyang. 2002
• Nogueira Lopes, Juan. 61 anos de Revolución en Corea. Publicado originalmente no site Kaos en La Red:http://www.kaosenlared.net/noticia/61-anos-de-revolucion-en-corea